Israel lançou nesta quarta-feira (8) a maior onda de ataques contra o grupo xiita Hezbollah desde que o Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio, em 2 de março, deixando mais de 100 mortos e colocando em risco o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã.
Na última terça (7), o governo do Paquistão, mediador nas tratativas, havia dito que a trégua envolveria também o território libanês, mas Tel Aviv deixou claro que não pretende interromper as atividades militares no país árabe.
Segundo as Forças de Defesa Israelenses (IDF), a ofensiva mobilizou 50 caças, que lançaram cerca de 160 bombas contra 100 alvos em apenas 10 minutos, atingindo "centros de comando do Hezbollah e outras infraestruturas militares" em Beirute, no Vale do Beqaa e no sul do Líbano.
De acordo com as IDF, entre os alvos estavam escritórios utilizados para planejar "ataques contra tropas e civis israelenses". "Este é o golpe concentrado mais duro que o Hezbollah sofreu desde a operação dos pagers [em 2024]", disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Já o premiê do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de "continuar expandindo sua agressão, mirando áreas residenciais densamente povoadas e tirando a vida de civis desarmados em várias partes" do país.
Testemunhas falaram em "cenas apocalípticas" na capital Beirute, enquanto fontes médicas mencionaram a presença de diversos cadáveres nas ruas.
Destruição provocada por ataque de Israel em BeiruteO Ministério da Saúde do país árabe declarou que a vasta onda de ataques matou pelo menos 112 pessoas e feriu outras 837, números que ainda estão destinados a aumentar.
Questionado sobre o conflito pela emissora PBS, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Líbano "não está incluso no acordo" de cessar-fogo com o Irã. "Está tudo bem, é só uma escaramuça que vamos resolver", assegurou.
No entanto, segundo o diário americano The Wall Street Journal, representantes iranianos alertaram que a participação nas negociações previstas para sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, dependerá de uma trégua no Líbano.
A agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, publicou que o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz foi interrompido novamente e que Teerã estuda retomar os bombardeios contra Israel se não houver um cessar-fogo no país árabe.
Já o gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou "de forma veemente" os ataques israelenses no Líbano e a "perda de vidas civis".