A Câmara Municipal de Gênova, na Itália, aprovou uma moção para batizar uma escadaria próxima ao polo universitário em homenagem às Mães da Praça de Maio, que lutaram pelas vítimas da ditadura militar argentina. A iniciativa visa preservar a memória e conscientizar estudantes sobre direitos humanos, celebrando também os laços históricos entre a emigração italiana e a Argentina, compromisso reforçado pelo Museu Nacional da Emigração Italiana com a reexibição do vídeo "Figli".
A cidade de Gênova, no noroeste da Itália, vai dedicar uma escadaria às Mães da Praça de Maio, associação de mulheres que lutaram por verdade e justiça para os filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983).
A moção foi aprovada pela Câmara Municipal e é celebrada pelo Museu Nacional da Emigração Italiana (MEI), situado na cidade. O texto, apresentado pela presidente da Comissão de Cultura, Donatella Alfonso, e assinado por outros 12 vereadores do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, compromete a prefeita Silvia Salis e sua equipe a dar o nome da associação à escadaria que liga a Via Brignole de Ferrari à Piazzale Emanuele Brignole, perto do polo universitário de Gênova.
A iniciativa mira lembrar a coragem das Mães da Praça de Maio na busca pelos filhos desaparecidos e transmitir aos estudantes a memória desses acontecimentos e o valor da mobilização civil pelos direitos humanos.
A moção faz referência explícita ao trabalho do MEI no 50º aniversário do golpe militar argentino, em especial na preservação das relações com famílias de origem ítalo-argentina atingidas pela repressão. Para dar continuidade a esse compromisso, o museu vai reapresentar nos próximos dias o vídeo "Figli" (Filhos), sobre os desaparecidos italianos, com atenção especial aos de origem genovesa.
O material foi produzido a partir de pesquisa detalhada e apresentado em março passado. "Recebemos com grande satisfação a aprovação da moção. As histórias dos desaparecidos pertencem à defesa da dignidade humana e dos direitos civis e estão estreitamente ligadas à história da emigração italiana: envolvem famílias que partiram do nosso país e comunidades que mantiveram um vínculo profundo com a Itália e com Gênova", afirmou Paolo Masini, presidente da Fundação MEI.