Forças dos EUA realizam novos ataques contra Irã, depois de Trump declarar que acordo "acabou"

8 jul 2026 - 20h07

As Forças Armadas dos EUA anunciaram nesta ‌quarta-feira que estavam lançando novos ataques contra o Irã com o objetivo de manter aberto ao tráfego o estratégico Estreito de Ormuz, poucas horas depois de o presidente Donald Trump ter declarado que um acordo provisório para pôr fim à guerra estava "encerrado".

A última rodada de ataques, que segundo os Estados Unidos foi lançada em resposta ao ataque de terça-feira contra três navios de carga que transitavam pelo estreito, abalou várias cidades ao longo da costa sul do Irã e deixou algumas áreas sem energia elétrica.

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"As forças do Comando Central ⁠dos EUA (CENTCOM) começaram a realizar ataques adicionais contra o Irã para enfraquecer ainda mais a capacidade do país de ameaçar a liberdade de ‌navegação no Estreito de Ormuz", escreveu o CENTCOM, comando militar dos EUA no Oriente Médio, no X.

"Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra a navegação comercial e tripulações civis que navegavam livremente por uma via navegável internacional vital."

Os ataques ‌desta quarta-feira contra o Irã serão em maior número do que os realizados na ‌terça-feira, disse uma autoridade norte-americana à Reuters, falando sob condição de anonimato.

"Isso é uma retaliação ao bombardeio de navios pelo ⁠Irã ontem. Se isso acontecer de novo, vai ficar muito pior!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

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O controle do estreito, por onde passava um quinto do abastecimento global de petróleo antes do início da guerra com os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, deu a Teerã imensa vantagem, permitindo-lhe efetivamente forçar um impasse com as forças armadas mais poderosas do mundo. Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques aos navios, analistas afirmam que Teerã usa tais ações para ‌ganhar vantagem nas negociações.

A mais recente escalada abalou as esperanças de transformar um memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo ‌permanente para pôr fim à guerra. O ⁠Irã afirmou nesta quarta-feira ter atacado ⁠instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit em resposta a ataques anteriores dos EUA contra infraestruturas, que por sua vez foram uma retaliação ⁠aos ataques aos navios.

Questionado antes de uma cúpula da Otan na Turquia nesta ‌quarta-feira se o memorando de entendimento havia chegado ‌ao fim, Trump disse: "É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles."

"Se fizermos um acordo com o Irã, não tenho certeza de que ele vai durar", disse Trump mais tarde. "Achei que eles são pessoas muito desonrosas."

Mas Trump, que ameaçou repetidamente intensificar a ação militar antes de recuar, disse que não esperava um retorno à guerra em ⁠grande escala e que não estava claro se as negociações para chegar a um acordo permanente continuariam.

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Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira à tarde, Trump disse que não achava que a guerra recomeçaria: "Tudo o que acontecer vai acabar muito rapidamente... e só vai tornar a situação mais segura, inclusive para o petróleo."

Os últimos ataques dos EUA elevaram os preços do petróleo em mais de US$ 1 por barril nas negociações pós-mercado nesta quarta-feira, com os futuros do petróleo ‌Brent cotados a US$79,28 por barril. Mesmo assim, os preços permaneceram bem abaixo do pico registrado no final de abril, de mais de US$120 por barril.

GRANDE CIDADE PORTUÁRIA ATINGIDA POR ATAQUES

A agência de notícias estatal do Irã informou sobre explosões em várias cidades ao ⁠longo da costa sul do país, do Estreito de Ormuz ao Golfo de Omã. Entre os locais atingidos estava Bandar Abbas, que abriga o maior porto do Irã e instalações-chave operadas tanto pela Marinha iraniana quanto pela Guarda Revolucionária.

Os ataques também atingiram Konarak e Chabahar, onde a mídia iraniana relatou quedas de energia e danos a uma torre de controle de tráfego marítimo. Explosões também foram relatadas na cidade de Iranshahr, no sudeste do país, de acordo com a Agência de Notícias Mehr.

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O Nournews, afiliado ao principal órgão de segurança do Irã, citou uma fonte militar iraniana afirmando que o Irã planejava lançar em breve um "ataque maciço" contra bases militares dos EUA na região, em retaliação.

Antes dos novos ataques dos EUA nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, havia afirmado que os ataques dos EUA violavam o memorando ao contestar uma cláusula que "enfatiza a responsabilidade da República Islâmica do Irã em determinar as medidas para a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz".

Um porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento afirmou que as opções de retaliação incluíam a retirada do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), a alteração da doutrina nuclear do Irã e o fechamento do Estreito de Bab-el-Mandeb, na foz do Mar Vermelho, outra rota marítima global crucial.

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