Dezenas de combatentes curdos deixaram a segunda cidade da Síria neste sábado, informaram fontes de segurança à Reuters, e o exército disse que ainda estava trabalhando para eliminar um grupo remanescente de combatentes aguerridos, depois que um cessar-fogo não conseguiu pôr fim a dias de confrontos mortais.
A violência em Aleppo aprofundou uma das principais fraturas na Síria, onde a promessa do presidente Ahmed al-Sharaa de unificar o país sob uma única liderança, após 14 anos de guerra, enfrentou a resistência das forças curdas que desconfiam de seu governo liderado pelos islamitas.
Os Estados Unidos e outras potências mundiais comemoraram um cessar-fogo mais cedo na semana, mas as forças curdas se recusaram a deixar a última fortaleza de Sheikh Maksoud, conforme o acordo. O exército da Síria disse que realizará uma operação terrestre para expulsá-los e vasculhou o bairro neste sábado.
Repórteres da Reuters viram dezenas de homens, mulheres e crianças saindo do bairro a pé. As tropas sírias os colocaram em ônibus e disseram que eles seriam levados para abrigos para deslocados. Mais de 140.000 pessoas já foram deslocadas pelos combates desta semana.
Mais tarde, repórteres da Reuters viram as forças de segurança colocarem mais de 100 homens em trajes civis em ônibus.
Oficiais de segurança sírios no local os identificaram como membros das forças de segurança interna curdas, conhecidas como Asayish, e disseram que eles haviam se rendido. Mais tarde, os Asayish negaram que qualquer um dos que deixaram Aleppo fosse combatente, dizendo que todos eram civis que haviam sido deslocados à força.
Três fontes de segurança sírias disseram à Reuters que um grupo de combatentes curdos, incluindo alguns comandantes e suas famílias, foi levado secretamente de Aleppo durante a noite para o nordeste do país.
Combatentes curdos ainda estavam escondidos em um hospital em Sheikh Maksoud no sábado, segundo fontes de segurança. As Forças Democráticas da Síria (SDF), a principal força curda, disseram que estavam travando batalhas de rua contra as forças do governo, acusando-as de bombardear indiscriminadamente a infraestrutura civil, incluindo o hospital, onde civis estavam se abrigando.