Forças curdas evacuam combatentes de Aleppo, na Síria, após dias de violentos conflitos

As forças curdas na Síria anunciaram neste domingo (11) a evacuação de seus combatentes dos dois bairros onde estavam entrincheirados em Aleppo, no norte do país, após vários dias de violentos conflitos contra as forças do governo, que causaram dezenas de mortes e o deslocamento forçado de milhares de pessoas.

11 jan 2026 - 10h54
(atualizado às 10h57)

"Chegamos a um acordo que levou a um cessar-fogo e permitiu a evacuação de mártires, feridos, civis presos e combatentes dos distritos de Achrafieh e Sheikh-Maqsoud, ao norte e leste da Síria", escreveram as Forças Democráticas da Síria (FDS), controladas por curdos, em um comunicado.

A agência de notícias oficial síria Sana confirmou que alguns "ônibus transportando os últimos grupos de membros da FDS deixaram o distrito de Sheikh Maqsoud, em Aleppo, rumo ao nordeste".

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Após assumir o controle de Ashrafieh, o exército sírio já havia anunciado no sábado (10) o fim de suas operações em Sheikh Maqsoud e a retirada dos combatentes curdos para o norte. No entanto, as forças curdas negaram.

155 mil deslocados e 300 curdos presos

Os confrontos, os mais violentos em Aleppo desde a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, começaram na última terça-feira (6), deixando pelo menos 21 civis mortos e forçando aproximadamente 155 mil pessoas a fugirem de casa, segundo dados oficiais. Ambos os lados se acusam de ter iniciado a violência.

Esses confrontos enfraqueceram ainda mais um acordo firmado em março entre as duas partes para integrar as instituições civis e militares da administração autônoma curda ao Estado sírio. O tratado que ainda não foi implementado.

A evacuação dos combatentes foi possível "graças à mediação de entidades internacionais para pôr fim aos ataques e violações cometidos contra o povo em Aleppo", declararam as Forças Democráticas da Síria, após terem denunciado, poucas horas antes, deslocamentos forçados e sequestros de civis.

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Um funcionário do Ministério do Interior sírio, falando sob condição de anonimato, disse à AFP que 419 combatentes curdos, incluindo 59 feridos, foram retirados do bairro onde estavam entrincheirados.

Ele acrescentou que outros 300 curdos foram presos. Um correspondente da agência de notícias francesa viu alguns ônibus transportando homens deixando o distrito de Sheikh Maqsoud durante a noite sob escolta do governo.

Violência contra minorias

Na capital Damasco, o enviado dos EUA, Tom Barrack, pediu "moderação" e o fim das hostilidades no sábado, após se reunir com o presidente Ahmed al-Sharaa, cujo governo afirma estar determinado a consolidar sua autoridade sobre Aleppo, a segunda maior cidade do país.

Desde a queda de Bashar al-Assad, o regime islâmico prometeu proteger as minorias. Mas os combates em Aleppo representam o terceiro episódio de violência envolvendo essas minorias, após os massacres de alauítas no litoral em março e os confrontos com drusos no sul em julho.

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Os curdos, que ganharam força com a guerra civil (2011-2024), tomando vastos territórios no norte e nordeste da Síria, incluindo campos de petróleo e gás, exigem, entre outras demandas, um sistema de governo descentralizado, o que Damasco rejeita.

RFI com AFP

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