O Irã é palco há duas semanas de manifestações contra o governo e o regime dos aiatolás, reprimidas com violência pelas forças de segurança.
Os protestos, iniciados por comerciantes e logo ampliados para grandes faixas da população, começaram como uma contestação à crise econômica e à inflação galopante, mas agora muitos pedem explicitamente que o aiatolá Ali Khamenei abandone o poder. Confira a cronologia da revolta:
- 28 de dezembro de 2025: Os protestos irrompem em alguns dos principais bazares da capital Teerã, motivados pelo aumento dos preços e do custo de vida.
- 29 a 31 de dezembro: O chefe do Banco Central renuncia, e as manifestações se espalham para outras cidades. O presidente Masoud Pezeshkian afirma ter falado com representantes de sindicatos e comerciantes para buscar uma solução para os problemas.
- 1º de janeiro de 2026: Tanto a agência de notícias semioficial Fars quanto ativistas de direitos humanos relatam, pela primeira vez, mortes na repressão aos protestos. O primeiro balanço é de pelo menos sete pessoas assassinadas.
- 2 de janeiro: O presidente Donald Trump declara que, se o Irã "matar violentamente manifestantes pacíficos", os EUA "virão em seu socorro".
- 3 de janeiro: O aiatolá Ali Khamenei afirma que as demandas econômicas dos manifestantes são "justas", mas também declara que aqueles que define como "rebeldes" devem ser "colocados em seu devido lugar".
- 6 de janeiro: A polícia iraniana é acusada usar gás lacrimogêneo para sufocar um protesto no Grande Bazar de Teerã. Os agentes também são acusados de invadir um hospital em Ilam "à procura de manifestantes feridos". Reza Pahlavi, filho no exílio do último xá, diz-se pronto "para liderar uma transição para a democracia".
- 8 de janeiro: Defensores dos direitos humanos e a ONG NetBlocks denunciam "um apagão total da internet em nível nacional" que perdura até agora.
- 11 de janeiro: Número de mortos na revolta passa de 400, e agências e ativistas dão notícia de vítimas também entre as forças de ordem.