Flávio Bolsonaro não estava apto a entrar na Argentina segundo reforma migratória

Mesmo ingresso com passaporte italiano também seria irregular

29 out 2026 - 13h40
(atualizado às 14h01)
Resumo
Sob a nova reforma migratória de Javier Milei, Flávio Bolsonaro não estava apto a entrar legalmente na Argentina por responder a processos judiciais. Com os passaportes brasileiros cancelados pelo STF após descumprir ordem judicial, o senador teria recebido tratamento diplomático indevido a caminho dos Estados Unidos. Mesmo utilizando passaporte italiano, ele descumpriu as exigências vigentes no país, que barram estrangeiros sem seguro-saúde, passagem de volta confirmada e comprovante de hospedagem.

De acordo com termos da reforma migratória na Argentina aprovada pelo presidente Javier Milei no ano passado, o candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL), não poderia entrar legalmente na Argentina.

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos pela Argentina
Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos pela Argentina
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O artigo 29 do Decreto 366 estabelece claramente que "a omissão ou falsificação de informações referentes a antecedentes criminais ou processos judiciais em curso" ? caso do senador ? "constitui fundamento para a recusa de entrada ou para a expulsão".

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O decreto ressalta que a medida integra políticas de segurança interna voltadas a restringir a entrada ou a permanência de indivíduos que respondam a processos judiciais ou que tenham condenações no exterior.

Esse endurecimento dos controles migratórios representa uma conquista importante para o governo Milei. Trata-se, ainda, da principal iniciativa da ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, que, em diversas ocasiões, supervisionou pessoalmente as operações no aeroparque de Buenos Aires para impedir a entrada no país de estrangeiros que não preencham os requisitos legais.

"Qualquer pessoa com antecedentes criminais, documentação irregular ou que não cumpra os requisitos não será admitida [na Argentina]", afirmou Monteoliva em um vídeo publicado no X em setembro, no qual se gabou de ter expulsado ou impedido a entrada de pelo menos 20 mil migrantes em situação irregular.

"Agora há lei e ordem na Argentina", exclamou ela no vídeo.

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Quanto a Flávio, segundo a imprensa argentina, ele teria recebido tratamento "diplomático" para ingressar no país vizinho em meio à fuga para os Estados Unidos ? o documento permite certos privilégios, como a isenção de inspeção de bagagem.

Entretanto, o primogênito de Jair Bolsonaro não possuía um passaporte diplomático válido quando entrou na Argentina, na noite de terça-feira (27), já que este e seu passaporte brasileiro foram cancelados pela Polícia Federal após Flávio descumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia sua saída do Brasil e determinava a entrega dos documentos. Desta forma, restou a ele apenas o passaporte italiano.

Contudo, há irregularidades mesmo nesse caso: conforme o novo decreto, todo turista europeu ? exceto passageiros em trânsito entre voos ? deve apresentar, para entrar na Argentina, um comprovante de seguro médico que cubra todo o período da viagem, uma passagem de volta e uma reserva de hotel ou outra acomodação autorizada. 

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