Filho de vítima belga de incêndio florestal na Espanha contesta versão de autoridades sobre alertas

12 jul 2026 - 13h44

O filho de um belga que morreu nos incêndios florestais na Espanha contestou alegações das autoridades de que seu pai e outras vítimas teriam ignorado orientações oficiais para se abrigarem no local, afirmando que os serviços de emergência não lhes deram nenhuma orientação.

O virologista belga Thomas-Wolf Verdonckt disse à Reuters no sábado que falou com seu pai, o empresário Stanislas Verdonckt, de 63 anos, por telefone pouco antes das 21h (horário ⁠local) na noite de quinta-feira, enquanto o incêndio avançava sobre a vila montanhosa de Bedar, na província de ‌Almeria, no sudeste da Espanha.

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Stanislas Verdonckt estava entre as oito vítimas do incêndio florestal encontradas mortas em um vale abaixo da área de Paraje el Curato, onde morava nos arredores de Bedar, segundo seu filho ‌de 33 anos. Verdonckt, que mora na Bélgica, viajou para a ‌Espanha após o incêndio e conversou com vizinhos sobreviventes.

Nenhuma autoridade informou ao grupo que o incêndio ⁠estava se aproximando ou que seria mais seguro para eles ficarem em casa do que fugir, disse Verdonckt.

"As pessoas que morreram não deixaram de seguir nenhuma ordem porque nenhuma ordem foi dada. Nenhuma informação foi fornecida", disse ele.

"Elas só começaram a correr quando as chamas já estavam quase sobre elas. Esse foi seu último recurso."

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As autoridades afirmaram que funcionários locais e a polícia foram de porta em porta ou ligaram para os ‌moradores com instruções sobre como evacuar com segurança ou se abrigar no local, dependendo de como o incêndio, ‌que avançava rapidamente, estivesse se alastrando ⁠em sua área.

O prefeito de ⁠Bedar, Angel Collado, disse que pediu ao grupo, incluindo Stanislas Verdonckt, que se abrigassem no local.

O governo regional da Andaluzia, ⁠que supervisiona os serviços de emergência e a administração local, ‌e a Guarda Civil espanhola, que ‌participou dos esforços de resgate, não responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre o relato de Verdonckt.

No total, 12 pessoas — principalmente estrangeiros como Stanislas Verdonckt e um espanhol — morreram ao tentar escapar dos incêndios florestais quando estes chegaram a Bedar, localidade situada acima da cidade de Los Gallardos. Suas ⁠identidades ainda não foram confirmadas oficialmente, e os bombeiros continuam lutando para conter as chamas.

Um grupo de vizinhos, incluindo seu pai, tentou inicialmente fugir de carro na noite de quinta-feira por uma estrada pavimentada, mas foi forçado a recuar pelas chamas, disse Verdonckt.

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"Eles não conseguiram passar pela estrada principal porque não foram avisados com antecedência. Ninguém lhes disse que o incêndio vinha daquela ‌direção e, quando tentaram sair, já era tarde demais", disse ele.

O grupo então tentou fugir de carro na direção oposta, pela estrada de terra sem saída dos vizinhos, que contorna a encosta da montanha. ⁠Mas não conseguiram sair dali, abandonaram os carros e tentaram escapar a pé, disse ele.

"Não foi uma escolha. Eles dirigiram até o fim da trilha e, quando até mesmo ela estava em chamas, algumas pessoas optaram por correr e tentar chegar ao vale", disse ele.

Um vizinho que sobreviveu em sua casa contou a Verdonckt que as chamas chegaram perto o suficiente da casa a ponto de tocá-la, disse ele. Verdonckt disse que seu pai, um ávido praticante de caminhadas e fotógrafo, tinha uma casa na região há muitos anos, conhecia bem o terreno e falava espanhol.

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Durante sua última conversa por telefone, Verdonckt disse que seu pai ponderou as opções para se proteger.

Stanislas Verdonckt sempre se manteve calmo "mesmo nas situações mais desesperadoras" e revisava seus "planos A, B e C", disse Verdonckt.

"Meu pai é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Ele é sempre muito analítico e estava apenas avaliando as possibilidades: 'Podemos fazer isso? Podemos fazer aquilo?'", disse ele. "Naquele momento, faltavam apenas alguns minutos para que fossem engolidos pelas chamas e ficassem presos."

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