UE alerta para 'catástrofe humanitária' na Ucrânia após ataques russos

A Ucrânia vive uma crise humanitária agravada por ataques aéreos russos que deixam centenas de milhares de civis sem eletricidade e aquecimento em pleno inverno, alertou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, nesta quinta-feira (29), enquanto Bruxelas prepara novas sanções contra Moscou.

29 jan 2026 - 08h01
(atualizado às 09h40)

Apesar das negociações lideradas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, com o objetivo de pôr fim à guerra, a Rússia continua a bombardear os ucranianos, "congelando-os para forçá-los a render-se", denunciou Kallas. "O inverno é muito rigoroso e os ucranianos estão sofrendo muito. Uma catástrofe humanitária se aproxima", enfatizou, pouco antes do início de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE, em Bruxelas.

A Rússia intensificou seus ataques contra a infraestrutura de eletricidade e aquecimento da Ucrânia, mergulhando os moradores na escuridão e no frio, com temperaturas chegando a -20°C.

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A UE busca reforçar seu apoio à rede elétrica ucraniana e prepara uma nova rodada de sanções contra Moscou, às vésperas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro.

A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Stenergard, pediu "uma proibição total dos serviços marítimos para todos os navios russos que transportam hidrocarbonetos", a fim de reduzir ainda mais as receitas petrolíferas de Moscou.

Ela também defendeu a proibição das importações de fertilizantes da Rússia e das exportações de bens de luxo da UE para o país.

"Precisamos pressionar mais a Rússia. É a única maneira de parar as mortes", afirmou Stenergard.

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A UE já impôs 19 pacotes de sanções contra a Rússia desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

Kaja Kallas também indicou que a UE adicionaria a Rússia à sua lista de sanções para lavagem de dinheiro. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, pediu aos 27 Estados-membros que imponham uma proibição coordenada de vistos para russos que lutaram na Ucrânia. "Essas são pessoas realmente más, e precisamos criar uma lista com esses indivíduos", declarou.

Mortes de civis

Ataques aéreos russos mataram três pessoas na região de Zaporíjia, no centro-leste da Ucrânia, onde fica localizada a maior usina nuclear do país, anunciou o governador local na manhã de quinta-feira.

"Os russos realizaram ataques com drones contra áreas residenciais de Vilniusk. Duas mulheres e um homem foram mortos, e outro homem ficou ferido", compartilhou Ivan Fedorov na rede social Telegram. "Casas foram destruídas e incêndios começaram", acrescentou.

Delegações ucranianas e russas se reuniram na semana passada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Essas foram as primeiras conversas diretas conhecidas entre Moscou e Kiev sobre o plano apoiado pelos EUA para resolver o conflito. As discussões devem ser retomadas no domingo, em Abu Dhabi.

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Até lá, a Rússia continua com os ataques aéreos diários, causando vítimas civis e prejudicando a infraestrutura de energia.

Na noite de terça-feira, ataques mataram três pessoas no país, incluindo duas nos arredores de Kiev, segundo autoridades locais. Um ataque com drone russo contra um trem de passageiros no leste da Ucrânia, no mesmo dia, deixou seis mortos, anunciou o Ministério Público de Kharkiv na noite de quarta-feira.

Segundo um relatório da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU), publicado no início de janeiro, quase 15.000 civis ucranianos foram mortos e 40.600 ficaram feridos desde o início da invasão russa. O relatório afirma que 2025 foi o ano mais letal desde 2022, com mais de 2.500 civis mortos.

Com AFP

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