'Poluentes eternos' podem custar € 1,7 trilhão à União Europeia até 2050, diz estudo

A poluição por PFAS na Europa pode custar à sociedade até € 1,7 trilhão até 2050, enquanto a União Europeia ainda avalia como lidar com os chamados "poluentes eternos", que persistem no meio ambiente e no corpo humano. Amplamente usados pela indústria, os PFAS - sigla para substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas - já são encontrados no solo, na água e nas cadeias alimentares.

29 jan 2026 - 16h34

A exposição aos PFAS é conhecida por aumentar o risco de câncer, provocar desregulação hormonal e afetar o sistema imunológico, além de outros problemas de saúde. O tratamento dessas doenças gera custos que acabam sendo arcados pela população.

A espuma de combate a incêndios é uma fonte conhecida de poluição por PFAS e foi alvo de restrições da União Europeia devido ao seu impacto ambiental de longo prazo.
A espuma de combate a incêndios é uma fonte conhecida de poluição por PFAS e foi alvo de restrições da União Europeia devido ao seu impacto ambiental de longo prazo.
Foto: ASSOCIATED PRESS - Gero Breloer / RFI

Nesta quinta-feira, a Comissão Europeia publicou um estudo que mede os custos ambientais e de saúde de longo prazo caso a poluição continue nos níveis atuais.

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O relatório apresenta o que a Comissão descreve como uma estimativa conservadora do ônus financeiro imposto pelos PFAS à sociedade. O estudo analisa diferentes cenários futuros, considerando tanto os danos ambientais quanto os impactos sobre a saúde.

O custo de não fazer nada

Se as regras e padrões permanecerem inalterados, a poluição por PFAS custaria à sociedade europeia cerca de € 440 bilhões até 2050, segundo o estudo. Esse valor cobre apenas os custos de saúde associados a um número limitado de substâncias PFAS atualmente reguladas, entre as milhares existentes.

O relatório aponta ainda que o tratamento de águas contaminadas, por si só, custaria mais de € 1 trilhão caso as emissões continuem no ritmo atual. Em contrapartida, reduzir as liberações de PFAS na origem até 2040 poderia gerar uma economia de cerca de € 110 bilhões.

Como os PFAS permanecem no organismo e no meio ambiente por décadas, o relatório destaca que ações precoces são essenciais para limitar os danos de longo prazo.

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O estudo identifica recém-nascidos, crianças, pessoas que vivem próximas a áreas contaminadas e trabalhadores desses locais como os grupos mais expostos à poluição por PFAS.

Em nota, a Comissão afirmou estar comprometida em proteger essas populações, ao mesmo tempo em que busca evitar consequências sociais e econômicas mais amplas. Segundo o órgão, é necessária uma abordagem equilibrada, à medida que alternativas aos PFAS são desenvolvidas para usos industriais essenciais.

"Dar clareza sobre os PFAS, com proibições para usos de consumo, é uma prioridade tanto para os cidadãos quanto para as empresas", afirmou a comissária europeia do Meio Ambiente, Jessika Roswall. "Os consumidores estão preocupados, e com razão. Este estudo reforça a urgência de agir", completou.

Três cenários possíveis

Um dos cenários analisados no estudo pressupõe que os PFAS continuem autorizados, mas com normas mais rigorosas e protetivas. Nesse caso, muitos locais contaminados precisariam ser descontaminados, elevando o custo total para cerca de € 1,7 trilhão até 2050.

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O cenário mais otimista prevê a proibição total dos PFAS na Europa.

Nesse caso, as substâncias desapareceriam gradualmente do organismo das pessoas ao longo de vários anos, restando principalmente os custos de descontaminação das áreas afetadas. Essa seria a opção menos onerosa no conjunto, com um custo estimado em cerca de € 330 bilhões.

O relatório, no entanto, ressalta que esse cenário pode ser excessivamente otimista, já que uma proibição total enfrenta forte oposição de diversos setores industriais.

Várias das substâncias PFAS mais nocivas, como PFOS, PFOA e PFHxS, já foram banidas na União Europeia. Em 2024, as restrições foram ampliadas para o PFHxA e substâncias relacionadas em produtos como artigos têxteis, embalagens de alimentos, cosméticos e alguns tipos de espuma para combate a incêndios.

Em outubro de 2025, a UE introduziu proibições graduais de todos os PFAS em espumas de combate a incêndios. Pelas regras europeias de água potável, os países do bloco também são obrigados a monitorar os níveis de PFAS para cumprir novos limites de segurança.

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A Agência Europeia de Produtos Químicos avalia atualmente uma proposta de restrição universal aos PFAS, com parecer previsto até o fim de 2026.

(Com agências)

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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