Guarda Revolucionária do Irã alerta os EUA de que sua força está com o 'dedo no gatilho'

Fala de Mohammad Pakpour advertiu americanos e israelenses para que evitem 'qualquer erro de cálculo'; Trump afirma que enviou frota de navios ao Golfo

25 jan 2026 - 11h06
Resumo
A Guarda Revolucionária do Irã alertou sobre sua prontidão militar em meio ao aumento de tensões com os EUA, que enviaram navios ao Golfo, enquanto protestos no Irã resultaram em milhares de mortos e presos, gerando preocupações internacionais.
A tensão segue elevada entre o Irã e os Estados Unidos após a repressão sangrenta aos protestos iniciados em 28 de dezembro
A tensão segue elevada entre o Irã e os Estados Unidos após a repressão sangrenta aos protestos iniciados em 28 de dezembro
Foto: Getty Images

DUBAI, Emirados Árabes Unidos — O comandante da Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, força que teve papel central na repressão a protestos nacionais recentes — uma ofensiva que deixou milhares de mortos —, alertou que suas tropas estão "mais prontas do que nunca, com o dedo no gatilho", enquanto navios de guerra dos Estados Unidos se dirigem ao Oriente Médio.

A Nournews, agência de notícias próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, informou em seu canal no Telegram que o comandante, general Mohammad Pakpour, advertiu os Estados Unidos e Israel para que "evitem qualquer erro de cálculo".

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"A Guarda Revolucionária Islâmica e o querido Irã estão mais prontos do que nunca, com o dedo no gatilho, para executar as ordens e diretrizes do comandante em chefe", disse Pakpour, segundo a Nournews.

A tensão segue elevada entre o Irã e os Estados Unidos após a repressão sangrenta aos protestos iniciados em 28 de dezembro, desencadeados pelo colapso da moeda iraniana, o rial, e que se espalharam pelo país por cerca de duas semanas.

Enquanto isso, o número de pessoas que ativistas relatam ter sido presas saltou para mais de 40 mil, à medida que crescem os temores de que alguns possam enfrentar a pena de morte.

Alertas de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem advertido repetidamente Teerã, estabelecendo duas linhas vermelhas para o uso da força militar: a morte de manifestantes pacíficos e a execução em massa de pessoas presas durante os protestos.

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Trump também afirmou diversas vezes que o Irã interrompeu a execução de 800 pessoas detidas nos protestos. Ele não detalhou a fonte dessa informação, que foi veementemente negada na sexta-feira pelo procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi, em declarações divulgadas pela agência judicial Mizan.

Na quinta-feira, Trump disse, a bordo do Air Force One, que os Estados Unidos estavam deslocando navios de guerra em direção ao Irã "apenas por precaução", caso decida agir.

"Temos uma frota enorme seguindo naquela direção e talvez não precisemos usá-la", afirmou Trump.

Um oficial da Marinha dos EUA, que falou sob condição de anonimato para tratar de movimentações militares, disse na quinta-feira que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e outros navios que o acompanham estavam no Oceano Índico.

Trump também mencionou as várias rodadas de negociações entre autoridades americanas e o Irã sobre o programa nuclear iraniano antes de Israel lançar, em junho, uma guerra de 12 dias contra a República Islâmica, que também incluiu bombardeios de aviões de guerra dos EUA a instalações nucleares iranianas. Ele ameaçou o Irã com uma ação militar que faria os ataques americanos anteriores a locais de enriquecimento de urânio "parecerem coisa pequena".

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Apreensão no setor aéreo

A tensão levou ao menos duas companhias aéreas europeias a suspender alguns voos para a região.

A Air France cancelou dois voos de ida e volta entre Paris e Dubai no fim de semana. A companhia afirmou que está "acompanhando de perto, em tempo real, os desdobramentos no Oriente Médio e monitorando continuamente a situação geopolítica nos territórios atendidos e sobrevoados por suas aeronaves, a fim de garantir o mais alto nível de segurança operacional". A empresa informou que retomaria o serviço para Dubai ainda no sábado.

A Luxair disse ter adiado em 24 horas o voo de sábado entre Luxemburgo e Dubai "diante das tensões contínuas e da insegurança que afetam o espaço aéreo da região, e em linha com medidas adotadas por várias outras companhias aéreas".

A empresa informou à AP que acompanha a situação de perto e que a decisão sobre a operação do voo no dia seguinte seria tomada com base em uma avaliação contínua.

Informações de chegadas no aeroporto internacional de Dubai também mostraram o cancelamento, no sábado, de voos provenientes de Amsterdã operados pelas companhias holandesas KLM e Transavia. As empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

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Alguns voos da KLM para Tel Aviv, em Israel, também foram cancelados na sexta-feira e no sábado, segundo rastreadores de voos online.

Aumento do número de mortos e prisões

Embora não haja registro de novas manifestações no Irã há dias, o número de mortos relatado por ativistas continua a aumentar, à medida que informações chegam lentamente apesar do mais abrangente bloqueio de internet da história do país, que já dura mais de duas semanas.

A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, estimou no sábado o total de mortos em 5.200 pessoas, número que deve continuar crescendo. Os dados do grupo têm se mostrado precisos em episódios anteriores de instabilidade e se baseiam em uma rede de ativistas no Irã para verificar as mortes. Esse total supera o de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no país em décadas e remete ao caos da Revolução Islâmica de 1979.

O governo iraniano divulgou na quarta-feira seu primeiro balanço oficial de mortos, afirmando que 3.117 pessoas morreram. Segundo as autoridades, 2.427 eram civis e integrantes das forças de segurança, enquanto o restante foi classificado como "terroristas". No passado, a teocracia iraniana subestimou ou deixou de divulgar números de mortos em episódios de agitação interna.

No sábado, a agência de ativistas também elevou o total de pessoas presas para 40.879 — um aumento significativo em relação às mais de 27.700 registradas na atualização anterior.

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Há temores de que o Irã aplique a pena de morte a manifestantes presos, como já fez no passado.

Autoridades do Judiciário iraniano chamaram alguns dos detidos de "mohareb" — ou "inimigos de Deus" — acusação que prevê a pena de morte. Essa classificação foi usada, junto com outras acusações, para executar em massa prisioneiros em 1988, episódio que teria resultado na morte de ao menos 5.000 pessoas.

Em uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Irã, realizada em Genebra na sexta-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com "declarações contraditórias das autoridades iranianas sobre a possibilidade de execução de pessoas detidas em conexão com os protestos".

Segundo ele, o Irã "continua entre os países que mais executam pessoas no mundo", com ao menos 1.500 execuções registradas no ano passado — um aumento de 50% em relação a 2024./AP

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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