Superlotação de 2.600% em centros de Ceuta expõe drama de menores e amplia pressão sobre Espanha

A situação dos menores em Ceuta se tornou "absolutamente insustentável", afirmou nesta quarta-feira (5) o presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, ao relatar centros de acolhimento que registram 2.600% acima da capacidade e cerca de 1.100 crianças e adolescentes marroquinos que permanecem no local. A crise infantil ocorre enquanto o número de mortos na travessia rumo ao território subiu para 75, além de 11 vítimas no lado marroquino.

5 ago 2026 - 13h25

A pressão sobre Ceuta atingiu um novo patamar nesta quarta-feira, quando Vivas pediu ajuda urgente às demais comunidades autônomas, afirmando que Ceuta vive uma situação "extremamente no limite".

Menor migrante do Marrocos é escoltado pelas forças de segurança espanholas após tentar entrar em Ceuta por via marítima. Imagem de 1° de agosto de 2026.
Menor migrante do Marrocos é escoltado pelas forças de segurança espanholas após tentar entrar em Ceuta por via marítima. Imagem de 1° de agosto de 2026.
Foto: REUTERS - Violeta Santos Moura / RFI

O representante do governo na região, Miguel Ángel Pérez Triano, reforçou que o enclave enfrenta uma pressão "muito forte" para atender os menores que chegaram durante a crise migratória. Ele informou que a polícia espanhola já registrou oficialmente 528 crianças e adolescentes marroquinos no local, encaminhados posteriormente aos centros de acolhimento. A ONG Save the Children havia alertado na segunda-feira (3) que o sistema de proteção local estava saturado, lembrando que Ceuta cuidava de cerca de mil menores, embora dispusesse de apenas cem vagas.

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A legislação espanhola determina que todas as regiões contribuam para o acolhimento de menores vindos de áreas sob forte pressão migratória, como ocorre também nas Ilhas Canárias. No entanto, essa regra enfrenta resistência em comunidades governadas pelo Partido Popular, algumas delas em coalizão com o partido de extrema direita Vox, que rejeita o recebimento de menores migrantes. O primeiro vice-presidente do governo da Espanha, Carlos Cuerpo, afirmou na televisão que o PP e os governos regionais sob sua liderança devem cumprir a legislação "como todos os demais".

Novos balanços de mortos

A crise infantil ocorre em paralelo ao aumento do número de mortos entre pessoas que tentaram chegar a Ceuta. Nesta terça-feira (4), a prefeitura elevou para 75 o total de vítimas, superando o balanço anterior de 72 mortos divulgado pelo lado espanhol. A maioria das óbitos ocorreu por afogamento no mar Mediterrâneo, durante a travessia que levou milhares de pessoas ao enclave na semana passada.

Do lado marroquino da fronteira, o Ministério do Interior informou no domingo (2) que 11 pessoas perderam a vida. Segundo o porta-voz Rachid El Khalfi, dez vítimas se afogaram e uma caiu de uma área rochosa entre Fnideq e Ceuta. Ele afirmou que Rabat está coordenando com Madri a verificação dos números e a identificação dos corpos encontrados no lado espanhol.

Organizações locais estimam que o número real pode ser ainda maior. A Associação Marroquina de Direitos Humanos aponta para "quase 130 vítimas", enquanto o Observatório do Norte dos Direitos Humanos calcula que o total "pode se aproximar de 100 mortos", além de dezenas de desaparecidos. As entidades afirmam que o balanço oficial não reflete a dimensão completa da tragédia.

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Fluxo migratório sem precedentes sobrecarrega Ceuta

De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 72 mil pessoas chegaram ao enclave na semana passada, a maioria a pé ou a nado. Aproximadamente 70 mil já retornaram ao Marrocos, país vizinho. As imagens da travessia foram amplamente difundidas e desencadearam uma crise inédita no território, acompanhada de tensões diplomáticas dentro da União Europeia.

O impacto sobre a estrutura de acolhimento infantil foi imediato. Sem espaço adicional e com centros superlotados, Ceuta enfrenta dificuldades para garantir proteção básica às crianças e adolescentes que permanecem na região. Vivas afirmou que o enclave continua "com o coração apertado" após a crise e que o país precisa agir de forma coordenada para evitar o colapso definitivo do sistema de proteção infantil.

Com AFP

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