Zelensky pressiona aliados por sistemas antibalísticos após ataque russo que deixou mortos em Kiev

Kiev voltou a ser alvo de um ataque com drones e mísseis russos na madrugada desta quarta-feira (5), deixando ao menos 17 mortos e mais de 50 feridos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a convocar seus aliados a fornecerem interceptores de mísseis balísticos "para salvar vidas".

5 ago 2026 - 07h19

Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI na Ucrânia, e da AFP

Uma densa nuvem de fumaça se ergueu sobre Kiev após bombardeios russos nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026.
Uma densa nuvem de fumaça se ergueu sobre Kiev após bombardeios russos nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026.
Foto: © Reuters/Vladyslav Sodel / RFI

A Rússia continua a mirar em Kiev e arredores em um momento em que a defesa antiaérea ucraniana enfrenta dificuldades para interceptar os mísseis balísticos lançados por Moscou. Segundo as autoridades locais, 28 mísseis e 115 drones foram disparados durante a noite. Embora a maioria dos drones tenha sido interceptada, nenhum míssil foi derrubado, informou a Força Aérea ucraniana.

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"Interceptores de mísseis balísticos poderiam ter salvado a vida daqueles que morreram hoje", lamentou Volodymyr Zelensky, afirmando ser "essencial" que os aliados da Ucrânia "entendam que atrasos na entrega ou a relutância em fornecer sistemas antibalísticos levam exatamente a esse tipo de perda humana". 

A situação é particularmente crítica na capital, onde moradores relatam o uso de bombas de fragmentação pela Rússia. O artefato aumenta o poder destrutivo de um míssil, já que dezenas ou centenas de pequenas cargas explodem após o impacto.

"A região de Kiev sofreu novamente, nesta noite, um dos ataques inimigos mais trágicos que já enfrentou até hoje", lamentou o chefe da administração militar regional, Timour Tkatchenko.

Em Boryspil e Bucha, cidades na periferia da capital e densamente povoadas, as equipes de resgate continuavam a trabalhar na assistência aos civis na manhã desta quarta‑feira. Em Kiev, ainda que existam abrigos antibombas, muitas vezes os moradores não dispõem de tempo para alcançá‑los.

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"A noite passada foi simplesmente horrível. Pela primeira vez, a falta de mísseis antibalísticos ficou evidente. A casa tremia", relatou Tetiana Dremak, uma moradora da capital. "Eu só quero deixar Kiev o mais rápido possível para que esse horror, esse pesadelo, acabe", acrescentou ela. 

Dez fortes explosões

Dez fortes explosões foram registradas por volta de meia-noite pelo horário local. Mais de cinco horas depois, uma densa fumaça ainda se erguia sobre a capital, e um cheiro de queimado persistia no ar.

As autoridades ucranianas identificaram danos em "mais de sete pontos" de Kiev, nos bairros de Golosiivsky, Desniansky, Obolonsky e Sviatoshynsky. "Incêndios atingiram depósitos, afetando uma área extensa", informou a administração militar, acrescentando que "a infraestrutura residencial" também foi atingida.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido centros de transporte, logística e distribuição. Segundo Moscou, essas instalações armazenavam ou forneciam equipamentos militares e drones.

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Nesta manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, condenou o que classificou de "atrocidades" na Ucrânia, além de anunciar a transferência de mais € 1,4 bilhão ao país. "A Rússia deve pagar pelas destruições que causou", advertiu a chefe do Executivo europeu no X, reiterando que o bloco está usando o valor dos ativos russos congelados na ajuda a Kiev.

Bombardeios ucranianos

No outro lado do conflito, a Ucrânia intensifica seus ataques contra a Rússia e os territórios ocupados por Moscou. A ofensiva ucraniana mira especialmente em instalações do gigante russo do e-commerce Wildberries e em infraestruturas energéticas.

A defesa antiaérea russa derrubou 107 drones ucranianos que tinham como alvo a região de Tula, informou nesta quarta‑feira o governador local, Dmitri Milaïev. Um dos artefatos caiu sobre um centro de triagem da Wildberries, provocando um incêndio, episódio confirmado pela empresa, que vem sendo alvo de múltiplos ataques desde meados de julho.

Três pessoas também ficaram feridas na região de Belgorod, segundo as autoridades locais.

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