Parlamento Europeu aprova meta de reduzir em 90% as emissões de gases de efeito estufa até 2040

Os eurodeputados aprovaram definitivamente nesta terça‑feira (10) o objetivo climático da União Europeia para 2040. O plano prevê uma redução de 90% das emissões de gases de efeito estufa em relação a 1990, acompanhada de medidas flexíveis.

10 fev 2026 - 12h53

Em sessão plenária em Estrasburgo, o Parlamento Europeu validou essa meta climática por 413 votos contra 226. A proposta inclui mecanismos de flexibilidade, como a possibilidade de adquirir créditos de carbono fora do continente.

Vista do plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, em 20 de janeiro de 2026.
Vista do plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, em 20 de janeiro de 2026.
Foto: © Yves Herman / Reuters / RFI

O desafio é grande, já que a União Europeia reduziu suas emissões em 37% em 2023 em comparação com 1990. Essa queda foi obtida principalmente graças ao declínio do carvão e ao avanço das energias renováveis.

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Para convencer países reticentes, como a Itália, medidas flexíveis foram introduzidas durante as negociações. Assim, a UE poderá reduzir suas emissões domésticas em 85% e completar os 5% restantes por meio da compra de créditos internacionais que financiem projetos de descarbonização fora da Europa, por exemplo.

Organizações ambientalistas criticam esse mecanismo, visto como uma forma de terceirizar o esforço climático.

O compromisso europeu também prevê uma cláusula de revisão dessa lei e a possível inclusão de créditos internacionais adicionais, podendo chegar a até 5% do esforço exigido aos Estados após 2030.

Adiamento da ampliação do mercado de carbono

Sob pressão da Polônia e da Hungria, os europeus também adiaram em um ano, de 2027 para 2028, a ampliação do mercado de carbono para o transporte rodoviário e o aquecimento de edifícios. E o tema continua aberto, já que vários Estados ainda pedem um adiamento além de 2028.

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Apesar dessa série de concessões, a União Europeia destaca sua liderança ambiental, com o objetivo de alcançar a neutralidade climática em 2050.

Muito atrás da China, a UE é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos Estados Unidos e da Índia. E a Europa critica seus parceiros internacionais por não fazerem esforços suficientes.

O bloco europeu é "responsável por apenas 6% das emissões globais", lembrou recentemente o comissário europeu para o clima, Wopke Hoekstra.

"A Europa é uma das líderes em ação climática e financia de longe a maior parte das iniciativas climáticas no exterior", mas "solidariedade e reciprocidade infelizmente nem sempre caminham juntas", lamentou. "Isso precisa mudar."

Com AFP

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