Em sessão plenária em Estrasburgo, o Parlamento Europeu validou essa meta climática por 413 votos contra 226. A proposta inclui mecanismos de flexibilidade, como a possibilidade de adquirir créditos de carbono fora do continente.
O desafio é grande, já que a União Europeia reduziu suas emissões em 37% em 2023 em comparação com 1990. Essa queda foi obtida principalmente graças ao declínio do carvão e ao avanço das energias renováveis.
Para convencer países reticentes, como a Itália, medidas flexíveis foram introduzidas durante as negociações. Assim, a UE poderá reduzir suas emissões domésticas em 85% e completar os 5% restantes por meio da compra de créditos internacionais que financiem projetos de descarbonização fora da Europa, por exemplo.
Organizações ambientalistas criticam esse mecanismo, visto como uma forma de terceirizar o esforço climático.
O compromisso europeu também prevê uma cláusula de revisão dessa lei e a possível inclusão de créditos internacionais adicionais, podendo chegar a até 5% do esforço exigido aos Estados após 2030.
Adiamento da ampliação do mercado de carbono
Sob pressão da Polônia e da Hungria, os europeus também adiaram em um ano, de 2027 para 2028, a ampliação do mercado de carbono para o transporte rodoviário e o aquecimento de edifícios. E o tema continua aberto, já que vários Estados ainda pedem um adiamento além de 2028.
Apesar dessa série de concessões, a União Europeia destaca sua liderança ambiental, com o objetivo de alcançar a neutralidade climática em 2050.
Muito atrás da China, a UE é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos Estados Unidos e da Índia. E a Europa critica seus parceiros internacionais por não fazerem esforços suficientes.
O bloco europeu é "responsável por apenas 6% das emissões globais", lembrou recentemente o comissário europeu para o clima, Wopke Hoekstra.
"A Europa é uma das líderes em ação climática e financia de longe a maior parte das iniciativas climáticas no exterior", mas "solidariedade e reciprocidade infelizmente nem sempre caminham juntas", lamentou. "Isso precisa mudar."
Com AFP