Nesta semana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que a produção de eletricidade a partir de geradores movidos a diesel e óleo combustível foi "nula", por falta de combustível. A declaração foi feita logo depois de o país ter enfrentado mais um apagão geral, na quinta-feira (5) em toda a região leste da ilha. Diante desse cenário, o governo cubano afirma não ter mais alternativa.
A situação vem se deteriorando rapidamente desde a captura, pelos Estados Unidos, do agora ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Cuba que continuava enviando petróleo para a ilha. Ao mesmo tempo, Washington aumenta a pressão sobre Havana, alegando que Cuba representa uma "ameaça excepcional" à segurança nacional norte-americana.
Uma estratégia que está surtindo efeito, lamentou o vice-primeiro-ministro cubano Oscar Pérez-Oliva Fraga, na sexta-feira (6) em entrevista à televisão estatal. Segundo ele, essas pressões obrigam o país a adotar uma série de decisões. "Essas pressões nos levam a aplicar um conjunto de medidas, em primeiro lugar para garantir a vida do nosso país, os serviços básicos, sem abrir mão do desenvolvimento", declarou.
Redução nos serviços de transporte
Entre as medidas anunciadas pelo governo cubano estão a redução dos serviços de ônibus e trens, o fechamento temporário de alguns estabelecimentos turísticos, a limitação da venda de combustíveis e também a diminuição da jornada de trabalho.
O vice-primeiro-ministro explicou ainda que "foi decidido concentrar as principais atividades administrativas de segunda a quinta-feira, a fim de aumentar a eficiência na prestação dos diferentes serviços administrativos à população". O objetivo desse conjunto de medidas é favorecer "a produção de alimentos e de eletricidade" e permitir "a manutenção das atividades essenciais".
Na véspera, o presidente Miguel Díaz-Canel havia anunciado que tempos difíceis estão por vir para os cubanos. No final de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump assinou um decreto segundo o qual os Estados Unidos poderão aplicar tarifas alfandegárias a todos os países que venderem petróleo a Havana.