"A escola faz muito, mas não pode fazer tudo", escreveu o ministro. "As últimas semanas foram marcadas por vários atos violentos graves", lembrou Édouard Geffray, mencionando o caso de Sanary-sur-Mer, onde uma professora foi esfaqueada por um aluno de 14 anos durante um intervalo, em sala de aula. Ela permanece hospitalizada em ainda em estado crítico.
"Todos sabemos que os comportamentos violentos de alguns jovens têm múltiplas causas. Detemos uma parte da solução para evitá-los e proteger nossas crianças", alegou o ministro.
Na carta, o ministro rejeita a "banalização do insulto", as "violências físicas" e "o porte de armas brancas". De acordo com ele, "uma criança não deve ser violenta - ponto. E o mesmo vale para seus pais", acrescentou.
"Não podemos admitir a banalização do insulto nem as agressões físicas brancas. Uma criança ou um jovem não tem por que carregar uma faca no bolso. Não tem por que agredir verbal ou fisicamente seus professores ou os profissionais da educação nacional. Não tem por que ser violento - ponto. O mesmo vale para seus pais", salientou Geffray.
"Por isso, precisamos de vocês: precisamos que conversem regularmente com seus filhos para lembrá-los e fazê-los respeitar essas regras elementares", afirma. "Precisamos de sua vigilância para nos sinalizar qualquer caso de assédio ou violência. Precisamos que, pelo seu exemplo, vocês lhes ensinem a ver na escola e em seus profissionais uma oportunidade única."
No texto, o ministro diz constatar "uma forma de banalização da violência". Ele defende os profissionais que atuam nos estabelecimentos, que, segundo ele, são "mulheres e homens que escolheram dedicar sua vida a fazer as crianças progredirem".
Sindicatos pedem mais medidas de combate à violência
As palavras do ministro foram bem recebidas pela comunidade escolar, mas sindicatos salientaram que medidas mais efetivas precisarão ser tomadas para combater a violência nos estabelecimentos.
"É a primeira vez que temos um ministro que convoca, ainda que modestamente, a responsabilidade coletiva", disse à AFP Élisabeth Allain-Moreno, secretária-geral do sindicato SE-Unsa. "É uma iniciativa entre outras que precisam ser acionadas", ressalta, lembrando que os recursos humanos nas escolas estão "muito, muito aquém das necessidades".
"A abordagem e o conteúdo são bastante positivos (...) Isso permite lembrar que a escola não pode fazer tudo", acrescenta Sophie Vénétitay a secretária-geral do Snes-FSU, outro sindicato do setor. "Mas também serão necessárias mudanças concretas no acompanhamento dos alunos; uma carta não será suficiente", alerta a dirigente sindical.
Agressões contra crianças
A carta do ministro foi divulgada depois da revelação de vários casos de violência verbal e sexual contra crianças cometidas por adultos nos estabelecimentos franceses.
Nos últimos meses, as acusações contra monitores de escolas, principalmente em Paris, que cuidam das crianças durante os intervalos e fora dos horários de aulas, se multiplicaram e se tornaram tema de uma longa reportagem investigativa exibida no programa "Cash Investigation", da emissora France 2, em 29 de janeiro.
Os repórteres revelaram, além de casos de abuso sexual, situações filmadas com câmeras escondidas em que crianças em idade pré-escolar eram humilhadas e agredidas. O programa também mostrou como é feito o recrutamento desses monitores: a única exigência respeitada à risca é não ter antecedentes criminais.
A baixa remuneração, as jornadas parciais e os horários fragmentados não atraem candidatos e, como resultado, muitas prefeituras têm dificuldade para encontrar profissionais. No programa, testemunhas questionam a falta de sanções contra monitores acusados de violência educativa ou sexual.
Nos últimos anos, os sindicatos dos profissionais da educação franceses vêm denunciando os cortes de gastos no setor. Neste ano, 4.000 cargos de professores serão extintos em setembro, que marca a volta às aulas na França. A medida afeta quase todas as regiões da França. Segundo o Ministério da Educação francês, os cortes estão relacionados à queda no número de alunos nas instituições.
Segurança nas escolas
Em sua carta às escolas, o ministro da Educação diz que o país garante "um serviço público de educação de qualidade e permite que todas as crianças da França tenham acesso ao conhecimento". "Somos devedores dos professores e de todos os profissionais. Em uma palavra: somos devedores da instituição", que só pode continuar a cumprir sua missão "se cada um se comprometer a respeitar e a fazer respeitar a instituição escolar e todos os seus profissionais, e se nos unirmos, todos, contra a violência verbal ou física".
Ele reconhece que o Estado deve "garantir a segurança nos estabelecimentos e arredores" e que essa é uma questão prioritária, tratada em conjunto com o Ministério do Interior. No final da carta, o ministro responsabiliza mais uma vez os pais e pede que eles lembrem aos filhos "regras elementares e as façam ser respeitadas", escreve. "Precisamos, simplesmente, que vocês reafirmem no ambiente familiar a autoridade da escola e de seus profissionais, assim como o respeito devido a cada aluno."
Com AFP