Depois do Telegram, Rússia bloqueia WhatsApp e tenta impulsionar versão russa menos segura

A Rússia confirmou nesta quinta-feira (12) o bloqueio do aplicativo de mensagens WhatsApp no país, por supostamente violar a lei. No início da semana, o Telegram, que desfruta de maior popularidade entre os usuários russos, também foi alvo de restrições.

12 fev 2026 - 10h38

Nos últimos anos, as autoridades russas aumentaram as restrições à liberdade de expressão online e limitaram o uso de aplicativos estrangeiros, buscando reprimir redes sociais não russas.

Governo russo tenta impulsionar o uso do aplicativo MAX, em vez do WhatsApp e do Telegram. (04/09/2025)
Governo russo tenta impulsionar o uso do aplicativo MAX, em vez do WhatsApp e do Telegram. (04/09/2025)
Foto: REUTERS - Ramil Sitdikov / RFI

O aplicativo de mensagens americano WhatsApp, que afirma ter mais de 100 milhões de usuários na Rússia, denunciou na noite de quarta-feira uma tentativa das autoridades russas de "bloquear completamente o aplicativo".

Publicidade

Nesta manhã, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, confirmou o bloqueio "por causa da recusa da empresa em cumprir a lei russa".

A agência reguladora de telecomunicações do país, Roskomnadzor, havia anunciado no início da semana "restrições graduais" contra o Telegram. Anteriormente, a agência acusou os dois aplicativos, muito populares na Rússia, de serem usados para golpes, "fins criminosos e terroristas".

As chamadas já haviam sido bloqueadas uma primeira vez em agosto de 2025, em ambos os aplicativos.

Contorno com VPN

As restrições ao Telegram foram criticadas por observadores militares russos, que temem que elas levem a uma perda de influência da narrativa pró-Kremlin na circulação de notícias internacionais. O Telegram é o principal canal de distribuição para muitos ativistas defensores de Moscou, autoridades governamentais e unidades militares. O aplicativo também é amplamente utilizado pela população ucraniana, em meio à guerra em curso entre Kiev e Moscou.

Publicidade

Se o bloqueio completo do WhatsApp e do Telegram for confirmado na Rússia, os usuários ainda poderão contornar a censura usando ferramentas de VPN, embora uma lei russa recente as proíba. Graças às VPNs, os russos, incluindo figuras pró-Kremlin, continuam a usar redes sociais e plataformas proibidas no país, como o Facebook e o Instagram, pertencentes ao grupo americano Meta, que também é proprietário do WhatsApp.

Essas plataformas foram declaradas "extremistas" e bloqueadas desde 2022, assim como o YouTube, proibido desde 2024. Nikita Nagornyy, campeão olímpico de ginástica e ex-líder de um movimento juvenil patriótico criado pelo Ministério da Defesa russo, continua publicando no Instagram, onde tem 915 mil seguidores.

MAX, aplicativo de mensagens russo sem criptografia

Tanto o WhatsApp quanto o Telegram acusaram as autoridades russas de tentar forçar os usuários a migrarem para o MAX, um novo aplicativo de mensagens local promovido pelo governo e denunciado por advogados como uma potencial ferramenta de vigilância.

"O MAX é uma alternativa existente, um aplicativo de mensagens emergente e nacional", afirmou Peskov na quinta-feira. As autoridades enfatizam a importância de reduzir a dependência do país em relação a plataformas estrangeiras que armazenam dados.

Publicidade

Lançado pela gigante russa das redes sociais VK em 2025, o MAX é apresentado como um superaplicativo que oferece acesso a tudo, desde serviços governamentais até a possibilidade de pedir pizza, semelhante ao WeChat ou ao Alipay na China.

O aplicativo alegava ter 75 milhões de usuários no final de dezembro. No entanto, russos disseram a veículos de comunicação, incluindo a AFP, que foram pressionados por seus empregadores a baixá-lo.

Ao contrário do WhatsApp e do Telegram, ele não usa criptografia de ponta a ponta, um método de proteção do conteúdo das mensagens que dificulta a interceptação e leitura por terceiros. Desde setembro de 2025, o governo russo exige que os fabricantes incluam automaticamente o MAX em todos os novos celulares e tablets vendidos na Rússia.

Com AFP 

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se