Libertação de dois franceses por Teerã foi 'gesto tático' do regime iraniano

Os franceses Cécile Kohler e Jacques Paris, libertados no Irã, desembarcaram em Paris na manhã desta quarta-feira (8). Logo depois, foram recebidos pelo presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu. O casal abordou o "horror cotidiano" e a situação arbitrária permanente que viveu durante os mais de três anos em um prisão iraniana. A imprensa francesa analisa o que tem por trás da soltura, que ocorre no contexto da guerra do Oriente Médio.

8 abr 2026 - 10h59

Os jornais franceses desta quarta-feira celebram a libertação do casal. Eles puderam deixar o Irã na terça-feira (7), e chegaram à França nesta quarta-feira (8).

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu Cécile Kohler (centro) e Jacques Paris (primeiro da direita para a esquerda) nesta quarta-feira (8), no Palácio do Eliseu, em Paris.
O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu Cécile Kohler (centro) e Jacques Paris (primeiro da direita para a esquerda) nesta quarta-feira (8), no Palácio do Eliseu, em Paris.
Foto: AFP - TOM NICHOLSON / RFI

A foto de Cécile Kohler, de 41 anos, e Jacques Paris, de 72, estampa as capas de quase todos os jornais. A libertação foi anunciada pelo presidente Emmanuel Macron, que agradeceu a mediação de Omã. "Um alívio para a França", declarou o líder centrista. 

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O jornal Le Monde destaca que a soltura ocorre em um contexto geopolítico tenso, marcado pelo conflito no Oriente Médio. De acordo com analistas ouvidos pelo jornal, o Irã fez um "gesto tático" para acentuar as divisões entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.

A imprensa francesa ressalta que a professora Cécile Kohler e o aposentado Jacques Paris eram reféns do regime iraniano. A viagem turística do casal ao Irã, em 2022, que deveria durar apenas menos de duas semanas, terminou somente 1.277 dias depois, aponta o jornal Libération. Eles foram presos por serem estrangeiros e por poderem servir como moeda de troca para o regime iraniano.

A libertação do casal estaria ligada à soltura da iraniana Mahdieh Esfandiari, detida na França por apologia ao terrorismo. Em fevereiro, ela foi condenada pela Justiça francesa a quatro anos de prisão, sendo um ano em regime fechado. A iraniana foi colocada em prisão domiciliar em Paris. 

Para facilitar a libertação dos dois franceses, a França também abandonou a queixa contra o Irã perante a Corte Internacional de Justiça.

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Condenados por espionagem

Após vários anos de detenção, o casal foi condenado por espionagem em novembro: Cécile a 20 anos de prisão e Jacques a 17 anos. Logo depois, ambos foram transferidos para a embaixada da França em Teerã, onde permaneceram em prisão domiciliar, proibidos de deixar o Irã. Na terça-feira, partiram sob escolta diplomática para o Azerbaijão, antes de seguirem para Paris.

As reações políticas na França foram unânimes, com deputados aplaudindo de pé a notícia da soltura na Assembleia Nacional. A classe política francesa celebrou uma "vitória imensa".

"O fim de um longo pesadelo", escreveu o Le Figaro. Para o La Croix, eles foram "libertados do inferno". "Nossos reféns enfim livres depois de quatro anos de calvário", resumiu o Le Parisien.

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