Os jornais franceses desta quarta-feira celebram a libertação do casal. Eles puderam deixar o Irã na terça-feira (7), e chegaram à França nesta quarta-feira (8).
A foto de Cécile Kohler, de 41 anos, e Jacques Paris, de 72, estampa as capas de quase todos os jornais. A libertação foi anunciada pelo presidente Emmanuel Macron, que agradeceu a mediação de Omã. "Um alívio para a França", declarou o líder centrista.
O jornal Le Monde destaca que a soltura ocorre em um contexto geopolítico tenso, marcado pelo conflito no Oriente Médio. De acordo com analistas ouvidos pelo jornal, o Irã fez um "gesto tático" para acentuar as divisões entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.
A imprensa francesa ressalta que a professora Cécile Kohler e o aposentado Jacques Paris eram reféns do regime iraniano. A viagem turística do casal ao Irã, em 2022, que deveria durar apenas menos de duas semanas, terminou somente 1.277 dias depois, aponta o jornal Libération. Eles foram presos por serem estrangeiros e por poderem servir como moeda de troca para o regime iraniano.
A libertação do casal estaria ligada à soltura da iraniana Mahdieh Esfandiari, detida na França por apologia ao terrorismo. Em fevereiro, ela foi condenada pela Justiça francesa a quatro anos de prisão, sendo um ano em regime fechado. A iraniana foi colocada em prisão domiciliar em Paris.
Para facilitar a libertação dos dois franceses, a França também abandonou a queixa contra o Irã perante a Corte Internacional de Justiça.
Condenados por espionagem
Após vários anos de detenção, o casal foi condenado por espionagem em novembro: Cécile a 20 anos de prisão e Jacques a 17 anos. Logo depois, ambos foram transferidos para a embaixada da França em Teerã, onde permaneceram em prisão domiciliar, proibidos de deixar o Irã. Na terça-feira, partiram sob escolta diplomática para o Azerbaijão, antes de seguirem para Paris.
As reações políticas na França foram unânimes, com deputados aplaudindo de pé a notícia da soltura na Assembleia Nacional. A classe política francesa celebrou uma "vitória imensa".
"O fim de um longo pesadelo", escreveu o Le Figaro. Para o La Croix, eles foram "libertados do inferno". "Nossos reféns enfim livres depois de quatro anos de calvário", resumiu o Le Parisien.