No fim de semana passado, era impossível encontrar ovos em supermercados parisienses e nas cidades próximas. Alguns pequenos comércios ainda vendiam algumas caixas do produto, mas com estoques reduzidos.
Em outras lojas, no centro da cidade, na segunda-feira (12), as prateleiras tinham poucos produtos, e alguns estabelecimentos impuseram limitações de duas caixas por cliente.
"Estamos enfrentando uma escassez temporária", dizia um aviso afixado acima das prateleiras vazias de um supermercado de Paris, citando o "mau tempo recente" e a "produção insuficiente" nacional como causas.
Há meses, a Associação Francesa da Indústria de Ovos, a CNPO, vem alertando para as perturbações na cadeia de abastecimento diante da crescente procura por essa proteína, cada vez mais popular na França pelo seu baixo custo e reputação benéfica para a saúde: os franceses consumiram 224 unidades per capita em 2023 e 226 em 2024.
"No início de 2026, a situação se agravou com a combinação do aumento tradicional do consumo de ovos durante a época festiva, a produção de galettes des rois - bolos de reis, tradição importante na França - e a inesperada nevasca que paralisou temporariamente as entregas aos supermercados", comentou a CNPO em comunicado na segunda-feira.
O fenômeno observado em "todos os varejistas" nos últimos dias resulta de "dificuldades logísticas inicialmente causadas pela neve, seguidas pela tempestade Goretti em todo o Noroeste", acrescentou a Federação Francesa do Comércio e Distribuição (FCD), a principal associação comercial do varejo.
"A cadeia de abastecimento [de ovos] é tão complexa que a menor perturbação tem repercussões", acrescenta a federação. No entanto, a FCD insiste que não há qualquer sinal de "escassez" de ovos, destacando um aumento de 6% no volume de vendas em supermercados em 2025, em comparação com 2024.
Gripe aviária
A gripe aviária também é citada como uma das razões para a ocasional falta de ovos nas prateleiras dos supermercados. Quando a doença é detectada em um lote de galinhas, todas devem ser sacrificadas, como ocorreu no norte da França há uma semana, fazendo com que centenas de milhares de ovos deixassem de chegar ao mercado.
No final de 2022, a gripe aviária também causou a diminuição dos estoques no Reino Unido e levou ao racionamento de ovos em alguns supermercados.
A indústria de ovos na França reagiu e anunciou a implementação de medidas para atender à crescente demanda, prolongando principalmente a vida útil das galinhas. O setor também defende uma flexibilização das normas para incentivar a construção de novos galinheiros, com a meta de 300 novas instalações até 2030.
RFI e AFP