França e Alemanha criam grupo de alto nível para aprofundar cooperação em dissuasão nuclear

Paris e Berlim anunciaram nesta segunda‑feira (2) a criação de um "comitê de supervisão nuclear de alto nível". A iniciativa é destinada a fortalecer a cooperação bilateral em matéria de dissuasão. O anúncio foi feito pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo chanceler alemão Friedrich Merz em declaração conjunta divulgada após o discurso de Macron sobre a evolução da doutrina nuclear da França.

2 mar 2026 - 13h51

Segundo Paris e Berlim, o novo mecanismo não substitui os instrumentos já existentes no âmbito da OTAN. Pelo contrário, "complementará, e não substituirá, a dissuasão nuclear da OTAN e os acordos de compartilhamento nuclear, aos quais a Alemanha contribui e continuará a contribuir", afirmaram os dois governos.

O presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda), e o chanceler alemão, Friedrich Merz, durante a Conferência de Segurança de Munique, em 13 de fevereiro de 2026.
O presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda), e o chanceler alemão, Friedrich Merz, durante a Conferência de Segurança de Munique, em 13 de fevereiro de 2026.
Foto: © Liesa Johannssen / REUTERS / Fotomontagem RFI / RFI

Macron explicou que a França está entrando em uma "nova fase" de sua doutrina nuclear, conceito que chamou de "dissuasão avançada". O presidente francês descreveu a mudança como uma "grande evolução" estratégica, destacando que oito países europeus já concordaram em participar dessa nova abordagem. A iniciativa busca integrar mais estreitamente capacidades nucleares, convencionais e de defesa antimíssil, articulando‑as com as necessidades de segurança do continente.

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Dentro desse contexto, o grupo de supervisão franco‑alemão funcionará como estrutura bilateral permanente para diálogo e coordenação estratégica. O objetivo é permitir consultas sobre a melhor articulação entre capacidades francesas - nucleares, de defesa antimíssil e convencionais - e as necessidades comuns de defesa, reforçando sinergias entre as duas maiores potências da União Europeia no campo da segurança.

A declaração conjunta também revelou que, a partir deste ano, a Alemanha participará de exercícios nucleares franceses, marcando um passo simbólico e operacional importante na aproximação entre os dois países em um tema historicamente sensível.

A iniciativa ocorre em um momento de crescente preocupação europeia com a segurança regional e com o papel das potências do continente na arquitetura estratégica pós‑Guerra Fria. Com o novo grupo, Paris e Berlim tentam consolidar uma coordenação inédita na esfera nuclear, mantendo ao mesmo tempo os laços estruturais com a OTAN e reforçando o pilar europeu de defesa.

Estoque de ogivas

A França possui atualmente 290 ogivas nucleares. Antes de 2008, esse número era um pouco superior a 300, quando o então presidente, Nicolas Sarkozy, decidiu reduzi-lo ao nível atual. Paris gasta atualmente cerca de € 5,6 bilhões (mais de R$ 34 bilhões) por ano para manter este estoque.

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As ogivas francesas podem equipar mísseis balísticos de alcance intercontinental, lançáveis a partir de submarinos ou mísseis disparados por aviões de caça Rafale. Esse número representa o quarto maior arsenal do mundo, atrás da Rússia, dos Estados Unidos e da China.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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