Além de anunciar a interceptação, Prévot agradeceu no X às forças especiais belgas pelo "profissionalismo e coragem excepcionais". Pouco antes, o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, havia informado que o petroleiro estava sendo escoltado até o porto de Zeebruges, no oeste do país, onde seria apreendido.
A Rússia tem recorrido a petroleiros envelhecidos, de propriedade pouco transparente, para driblar as restrições impostas às exportações de petróleo desde fevereiro de 2022. A União Europeia colocou centenas dessas embarcações em sua lista negra na tentativa de reduzir o financiamento da máquina de guerra russa.
"As sanções só fazem sentido se forem aplicadas. Hoje, nós as aplicamos", afirmou Prévot, que também é vice-primeiro-ministro. Segundo ele, a operação foi realizada em parceria com países do G7, além de nações nórdicas e bálticas, e em coordenação com a França.
O presidente francês Emmanuel Macron confirmou no X que navios da Marinha francesa deram apoio à ação, que ele classificou como "um duro golpe" contra a frota clandestina mantida pela Rússia.
Coup dur pour la flotte fantôme : en Mer du Nord, nos hélicoptères de la Marine nationale ont contribué cette nuit à l'arraisonnement par les forces belges d'un pétrolier sous sanctions internationales.
Les Européens sont déterminés à couper les sources de financement… pic.twitter.com/7SnBY8ZaaR
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) March 1, 2026
"No Mar do Norte, os helicópteros da Marinha Francesa contribuíram ontem à noite para a apreensão, pelas forças belgas, de um petroleiro sujeito a sanções internacionais. Os europeus estão determinados a cortar as fontes de financiamento da guerra de agressão da Rússia na Ucrânia, aplicando sanções", escreveu o líder francês na publicação acompanhada de um vídeo da operação.
Navio sob bandeira falsa
As autoridades identificaram o navio como Ethera. Embora navegasse sob bandeira da Guiné, uma inspeção confirmou que utilizava um pavilhão falso. "Foram encontrados documentos suspeitos de falsificação", afirmou o Ministério Público Federal, que abriu uma investigação criminal. O órgão destacou que navegar sob bandeira falsa implica violar diversas normas internacionais.
As medidas para limitar as receitas russas usadas no financiamento da guerra têm levado muitos petroleiros a perder acesso a sistemas ocidentais de seguro e logística marítima.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, elogiou a operação belga. Ele afirmou no X que ações "decididas e justificadas" são essenciais para impedir que Moscou mantenha a agressão militar e os crimes de guerra no território ucraniano. Sybiga pediu que outros países adotem medidas semelhantes para desarticular a frota clandestina russa.
Alguns especialistas e autoridades alertam ainda que embarcações desse tipo podem estar envolvidas em atos de sabotagem no contexto de uma "guerra híbrida" conduzida pela Rússia contra países ocidentais.
Em fevereiro, revelou‑se que dois funcionários de uma empresa russa de segurança privada estavam a bordo de outro petroleiro da frota, apreendido pela França em setembro. Os dois homens, da empresa Moran Security Group, eram responsáveis por monitorar a tripulação e coletar informações, segundo fonte citada pela AFP. Em janeiro, forças francesas também haviam interceptado outro navio suspeito, o Grinch.