Nathalie Versieux, correspondente da RFI em Berlim, com agências
O sindicato Verdi convocou seus membros para uma greve de dois dias em toda a Alemanha, em meio a um conflito que, desta vez, não se concentra principalmente em aumentos salariais, mas sim na reorganização da jornada. Em Berlim, trabalhadores relatam que o problema é antigo: jornadas extensas, poucos dias de folga e intervalos insuficientes entre um turno e outro.
A paralisação tem como objetivo pressionar os empregadores em negociações que tratam de condições de trabalho — sobretudo a distribuição de horas e turnos, além dos adicionais noturnos e de fim de semana. As demandas variam conforme o estado, mas o descontentamento é comum em todo o setor.
"A questão são as condições de trabalho, e nós apresentamos nossas reivindicações", explica Manuel von Stubenrauch, condutor de bonde na capital desde 2015 e membro da Comissão Tarifária que negocia há meses com a BVG, empresa responsável pelo transporte urbano berlinense.
"No ano passado, havíamos negociado por mais salário. Havíamos conseguido avanços sobre a semana de 35 horas, e agora até isso eles estão colocando em questão. As negociações estão completamente bloqueadas e vamos usar nosso bom direito de fazer greve para relançar as negociações", disse ele à RFI.
As conversas entre o sindicato e os empregadores municipais avançam lentamente, sem expectativa de acordo a curto prazo. No total, as negociações envolvem cerca de 150 empresas de ônibus, bondes e trens locais, atingindo aproximadamente 100 mil trabalhadores em diferentes estados, entre eles Berlim e Hamburgo.