A decisão da Comissão tornou‑se possível depois que Argentina e Uruguai concluíram a ratificação do acordo na quinta‑feira (26). A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, disse "lamentar" a decisão de Bruxelas, classificando‑a como "muito prejudicial".
Assinado em 17 de janeiro no Paraguai, o acordo abre caminho para que a UE amplie as exportações de veículos, máquinas, vinhos e bebidas para a América Latina, enquanto facilita a entrada de carne, aves, açúcar, arroz, mel e soja sul‑americanos no mercado europeu.
Agricultores franceses críticos ao tratado temem que produtos mais baratos e sujeitos a controles menos rigorosos prejudiquem a competitividade local. A ratificação havia sido suspensa depois que eurodeputados solicitaram ao Tribunal de Justiça da UE que avaliasse sua compatibilidade com os tratados — um processo que poderia levar meses.
Para a deputada Céline Imart, eleita pelo partido conservador Os Republicanos, Ursula von der Leyen "força a questão" em plena semana da Feira Internacional da Agricultura e demonstra "desprezo pelo setor agrícola" ao avançar sem aguardar o parecer do Tribunal. Imart integra a poderosa Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores (FNSEA), opositora histórica do tratado.
No fim de janeiro, a porta‑voz do governo francês havia classificado a aplicação provisória como "uma forma de violação democrática".
Von der Leyen rebate que a aplicação provisória "é, por definição, temporária" e promete manter o diálogo com governos e parlamentares. A maioria dos Estados‑membros segue favorável ao acordo, defendido com firmeza pelo chanceler alemão Friedrich Merz, que considera essencial avançar rapidamente diante das ameaças de novas tarifas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.