A Le Point destaca que, embora a UE invista bilhões de euros na Hungria desde 2004 para a construção de rodovias, metrôs e pontes, é junto à Rússia — em guerra aberta contra os europeus — que Viktor Orbán adquire 80% do petróleo e do gás indispensáveis ao país. Pior do que isso, cartazes de campanha espalhados em diversas cidades desgastam a imagem da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, retratados como "perigosos".
Para a oposição, no entanto, a dependência energética "não deve justificar essa aliança com o Kremlin", já que haveria alternativas viáveis. O texto sugere ainda que o líder húngaro se beneficia de uma relação opaca com o presidente russo, Vladimir Putin.
Segundo a revista Le Nouvel Obs, as pesquisas eleitorais indicam o partido nacional‑populista de Orbán, o Fidesz, atrás da oposição liderada por Péter Magyar, diplomata que denunciou a corrupção dentro da legenda governista. O líder do partido Tisza alerta para a ingerência de equipes de inteligência russa em campanhas de desinformação no país.
Aproximação de líderes ultraconservadores
O jornal Washington Post chegou a divulgar a existência de um plano envolvendo uma tentativa de assassinato de Orbán para impulsionar sua popularidade. A aproximação com o presidente americano, Donald Trump, e outros líderes conservadores, como o argentino Javier Milei, também integra a estratégia de campanha. O vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance visitou a Hungria na semana que antecedeu a votação para apoiar o atual primeiro‑ministro.
Já a revista L'Express analisa a transformação do Mathias Corvinus Collegium (MCC), instituição educacional fundada em 1996 para apoiar estudantes de baixa renda, em uma "máquina de propaganda" do governo ultraconservador de Viktor Orbán. Privatizado em 2021, o instituto recebeu forte apoio financeiro da companhia petrolífera MOL, cuja receita depende do petróleo russo. Desde então, o MCC se expandiu e passou a atuar em 31 localidades, incluindo Romênia, Eslováquia e Ucrânia.
A revista aponta ainda que instituições ligadas a Orbán contam com apoio explícito de Washington. Nas palavras do secretário de Estado americano Marco Rubio, "a vitória de Orbán é a nossa vitória".