Uma colisão traseira entre dois trens de alta velocidade deixou dezenas de mortos na província de Toledo, Espanha, com 544 passageiros a bordo no total. A suspeita inicial aponta erro humano e falha na sinalização. O tráfego entre Madri e Andaluzia foi suspenso, e equipes de resgate prestam socorro. O desastre, que é o segundo grave no país em menos de um ano, levou à interrupção das campanhas para as eleições gerais e gerou comoção e solidariedade de líderes políticos locais e internacionais.
Os dois trens transportavam 544 pessoas. Segundo as autoridades regionais, 147 estavam a bordo do trem da operadora privada Iryo e 397 viajavam no trem AVE, da estatal Renfe.
O acidente ocorreu às 8h54 (horário local), entre as cidades de Mora, Orgaz e Urda, na província de Toledo. Segundo as primeiras informações, o trem da Renfe colidiu na traseira de um trem da Iryo na entrada da estação de Urda, provocando o descarrilamento de vários vagões.
Imagens divulgadas pela televisão espanhola mostram os dois trens — um vermelho, da Iryo, e outro branco, da Renfe — parcialmente descarrilados, com alguns vagões tombados às margens da ferrovia.
"Foi um barulho enorme, realmente enorme, que durou cerca de dez segundos, como se o trem fosse descarrilar. Pela janela, do lado direito, vimos um trem acidentado", relatou um passageiro à rádio espanhola Cadena SER.
Segundo informações do jornal El País, as primeiras hipóteses apontam para um erro humano de um operador da Adif, a estatal espanhola responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária, diante de uma falha no principal sistema de sinalização.
Equipes de emergência foram mobilizadas para o local. Bombeiros, helicópteros e unidades móveis de terapia intensiva participam do atendimento às vítimas. O governo espanhol também determinou o envio de equipes da Unidade Militar de Emergências.
A circulação de trens de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi interrompida após o acidente.
Segundo acidente grave em menos de um ano
A colisão ocorre pouco mais de nove meses depois de outro grave acidente na mesma rede ferroviária. Em 18 de janeiro, 46 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas em uma colisão envolvendo dois trens de alta velocidade em Adamuz, na província de Córdoba, na Andaluzia.
Na ocasião, um trem da Iryo descarrilou antes de colidir com um trem da Renfe que vinha no sentido contrário. O acidente provocou um intenso debate sobre a manutenção da infraestrutura ferroviária e a segurança da rede de alta velocidade espanhola.
Com cerca de 4 mil quilômetros de linhas de alta velocidade, a Espanha possui a segunda maior rede do mundo, atrás apenas da China.
Campanha eleitoral é suspensa
O acidente ocorreu em meio à campanha para as eleições gerais antecipadas de 29 de novembro. O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou seus compromissos previstos para esta quarta-feira e suspendeu sua participação em uma cúpula sobre obesidade que seria realizada em Madri. O Partido Socialista (PSOE), liderado por Sánchez, também anunciou a suspensão de todas as atividades de campanha durante o dia.
Em uma mensagem publicada na rede social X, Sánchez afirmou estar "chocado" e enviou "afeto, solidariedade e apoio" às vítimas e a seus familiares.
O Partido Popular (PP), de oposição, também suspendeu sua campanha. Seu líder, Alberto Núñez Feijóo, declarou estar "muito preocupado" com o novo acidente.
O presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, cancelou sua agenda e se dirigiu ao local da tragédia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também manifestou condolências às famílias das vítimas e afirmou que "hoje a Europa chora" com elas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a "solidariedade da França" ao povo espanhol. "Nossos pensamentos estão com as vítimas, suas famílias, os numerosos feridos e todas as equipes mobilizadas nas operações de resgate", escreveu no X.
Com agências