O incêndio ainda não foi controlado, mas seu avanço permaneceu limitado graças a ventos mais favoráveis e às chuvas registradas durante a madrugada, informaram as autoridades belgas. A previsão meteorológica indica possibilidade de chuva ao longo de toda a semana.
Aviões e helicópteros da Alemanha e da Noruega são esperados para reforçar a operação aérea que lança água sobre áreas de difícil acesso para os bombeiros. O combate às chamas já conta com o apoio de aeronaves dos Países Baixos e da Suécia por meio do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
Cerca de 500 pessoas estão mobilizadas para tentar conter o fogo, que queima desde sexta-feira na região das Fagnes, uma extensa área florestal próxima à fronteira com a Alemanha.
O incêndio produz grande quantidade de fumaça, formando uma nuvem que cobre a região e pode ser percebida até mesmo no nordeste da França. As chamas atingem uma área florestal acidentada, o que impede que os bombeiros se aproximem dos focos mais intensos com seus caminhões.
Fogo deixa de avançar
Além da chuva e dos ventos favoráveis, outro sinal positivo é que o fogo deixou de avançar em direção à Alemanha. A cidade alemã de Monschau, com cerca de 12 mil habitantes, havia ordenado no domingo (16) à noite a evacuação de um bairro devido aos riscos causados pela fumaça.
Medidas semelhantes também foram adotadas em algumas localidades da Bélgica no sábado. "Atualmente, o fogo está contido nas áreas onde é possível intervir", afirmou Tony Hosmans, porta-voz responsável pela gestão da crise. Apesar disso, o incêndio ainda não está totalmente controlado.
Helicópteros, agricultores e voluntários
Numerosos agricultores da região também participam dos esforços. Em longas filas, eles abastecem caminhões-pipa em um lago próximo, ajudando a reduzir a carga de trabalho dos bombeiros. A solidariedade se estende à população local.
"Oferecemos bebidas e algumas refeições", contou Annick Dodémont, proprietária de um dos muitos restaurantes mobilizados para apoiar as equipes de emergência. "Não podemos ir até lá combater o incêndio, então ajudamos da forma que podemos", afirmou a empresária de 41 anos que nunca acreditou que um incêndio como esse pudesse acontecer no país.
Assim como grande parte da Europa, a Bélgica enfrentou neste verão períodos de calor intenso e seca. Na semana passada, os termômetros chegaram a marcar 37°C em algumas regiões do país. Essas condições favoreceram o surgimento e a rápida propagação do incêndio.
Primeiro-ministro francês vaiado
O incêndio que consumiu 1.700 hectares desde quinta-feira no coração da floresta das Landes, no sudoeste da França, foi declarado "controlado" pelas autoridades nesta segunda-feira. Não houve vítimas nem danos materiais significativos.
"No entanto, incêndio controlado não significa incêndio extinto. É preciso continuar extremamente vigilante", declarou à imprensa Stéphanie Monteuil, secretária-geral da prefeitura do departamento.
Em visita a áreas devastadas neste verão por megaincêndios na região da Gironde, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu foi recebido com vaias de moradores. Ele afirmou que o governo "não tem nada a esconder" sobre a gestão das operações de combate às chamas das últimas semanas. O premiê também defendeu a atuação das autoridades locais e prometeu medidas para a reconstrução das áreas afetadas.
Lecornu visitou no domingo a cidade de Le Porge, onde o fogo destruiu em julho, 183 casas. Controlado em 1º de agosto, o fogo atingiu 42 mil hectares e se tornou o maior incêndiona França desde 1949. As chamas chegaram a avançar a apenas 15 quilômetros da região metropolitana de Bordeaux e provocaram a evacuação de mais de 220 mil moradores e turistas.
O primeiro-ministro prometeu anunciar medidas para a reconstrução das áreas afetadas durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
Incêndios controlados na Grécia
Dois incêndios na ilha grega de Salamina, perto de Atenas, que deixaram dois mortos, foram controlados em grande parte, informou o corpo de bombeiros. "A situação melhorou, já não há nenhum foco ativo", declarou um porta-voz da corporação. Ele acrescentou que dois helicópteros e mais de 200 agentes permanecem na região por precaução.
Esses incêndios na Grécia começaram no domingo perto de praias lotadas ao sul e ao leste da ilha. As chamas se propagaram em apenas sete minutos devido aos fortes ventos, o que deixou um casal de idosos preso perto de sua casa. Quase 600 pessoas foram retiradas da região pelo mar, indicou uma porta-voz da Guarda Costeira.
Espanha e Portugal
Um militar morreu na Espanha, na região de Aragão, no nordeste do país, nas operações de combate aos incêndios. Segundo a imprensa local, o veículo em que ele estava teria capotado
O governo espanhol mobilizou no domingo um dispositivo sem precedentes para enfrentar o fogo que começou na segunda-feira da semana passada e se aproximou de dois mosteiros históricos de San Juan de la Peña.
Atiçadas pelo vento, as chamas se espalharam por 16.600 hectares e provocaram a retirada de mais de mil pessoas de suas casas. O governo regional informou que conseguiu "consolidar boa parte do perímetro" do incêndio.
Na província de Huelva, na Andaluzia, no sul do país, outro incêndio foi considerado estabilizado após dez dias e 38.000 hectares afetados, segundo a emissora pública Canal Sur.
Em Portugal, centenas de bombeiros foram mobilizados no norte do país. Vários focos de incêndio surgiram ao longo do fim de semana na região, especialmente perto da fronteira com a Espanha. As áreas mais afetadas são Torre de Moncorvo, Boticas, Chaves e Dine, onde cinco bombeiros ficaram feridos no sábado.
Com AFP