Bélgica enfrenta o pior incêndio florestal da história do país

As primeiras evacuações estão sendo realizadas em vilarejos no leste da Bélgica, próximos a um incêndio que já devastou mais de 1.650 hectares. O país enfrenta um dos maiores incêndios de sua história recente.

15 ago 2026 - 13h10

"Não dá para ver nada, há fumaça por toda parte", relata David Rodolfs, de 38 anos, descrevendo a situação como "extremamente triste". "Meus colegas viram o fogo começar ontem. Caíam cinzas sobre as mesas, e então tivemos que pedir aos clientes para ir embora, sem sobremesa", conta o proprietário de dois restaurantes na região atingida.

Coluna de fumaça em um incêndio florestal na reserva natural das Hautes Fagnes (High Fens), em Jalhay, em 14 de agosto de 2026.
Coluna de fumaça em um incêndio florestal na reserva natural das Hautes Fagnes (High Fens), em Jalhay, em 14 de agosto de 2026.
Foto: AFP - NICOLAS LAMBERT / RFI

O incêndio começou na sexta‑feira (14), no meio do dia, nas Hautes Fagnes, uma grande reserva florestal muito procurada por pessoas que fazem caminhadas ao ar livre e próxima da Alemanha. O fogo se espalhou rapidamente.

Publicidade

Foram 80 hectares queimados na noite de sexta, 850 na manhã de sábado, e depois 1.650 no meio da tarde, segundo Nicolas Yernaux, porta‑voz das autoridades da Valônia.

Os primeiros moradores dos vilarejos de Sourbrodt e Bütgenbach receberam ordem de evacuação por volta das 16h, segundo mensagem publicada pelas autoridades locais no Facebook. O ginásio de uma comuna vizinha foi disponibilizado para acolhê‑los.

"Há risco de o fogo atingir as casas, mas estamos mobilizando todos os meios para protegê‑las", explicou o porta‑voz.

Um jornalista da AFP, escoltado na área incendiada, viu uma vasta extensão de vegetação destruída, enquanto uma espessa nuvem de fumaça permanecia suspensa no ar.

Publicidade

"Quando vemos como estava esta manhã e como está agora, ficamos chocados", afirmou o ministro belga do Interior, Bernard Quintin, presente no local.

O incêndio, que já um dos maiores da história da Bélgica, ainda não está controlado. A situação é ainda mais perigosa porque ele avança em uma área muito acidentada, o que dificulta o trabalho dos bombeiros.

Helicópteros e aviões bombardeiros d'água

Reforços vindos de toda a Bélgica e também da Alemanha foram mobilizados para tentar conter o fogo o mais rápido possível. O país ativou rapidamente o mecanismo europeu de proteção civil, que permite solicitar reforços humanos e materiais em todo o continente.

A comissária europeia responsável pela coordenação do dispositivo, Hadja Lahbib, anunciou que dois aviões bombardeiros d'água suecos e dois helicópteros, um da República Tcheca e um dos Países Baixos, estavam a caminho para ajudar.

"As Fagnes estão queimando. A Bélgica não enfrenta isso sozinha", afirmou ela em publicação no X.

Quatro caminhões de bombeiros belgas de nova geração também foram enviados, segundo o ministro da Defesa, Theo Francken. "As operações de combate ao incêndio continuam ativamente no terreno", destacou o governador da província de Liège, Hervé Jamar, no Facebook.

Publicidade

Nas redes sociais, muitos agricultores publicaram fotos a caminho da área do incêndio para ajudar os bombeiros. O ministro do Interior classificou a mobilização como "impressionante".

Assim como grande parte da Europa, a Bélgica enfrentou nos últimos dias uma nova onda de calor intenso. Na sexta‑feira, as temperaturas chegaram a 37°C em algumas regiões.

Este incêndio fica a apenas algumas dezenas de quilômetros, em linha reta, de outro grande foco no oeste da Alemanha, que já provocou a evacuação de cerca de 1.800 pessoas, com as chamas muito próximas de casas na cidade de Hürtgenwald.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se