Léo Hélaine, enviado especial da RFI
Com um cesto nas costas, François, funcionário do domínio Huchet, no departamento de Loire-Atlantique, se apressa para recolher as uvas recém‑cortadas. "É muito intenso", admite. "Mas é agora que tudo acontece, então é preciso ser muito bom na urgência, ser rápido, estar presente."
Os viticultores precisaram se organizar às pressas. Há menos de dez anos, no domínio de Jérémy Huchet, perto da comuna de Château‑Thébaud, a colheita ainda ocorria em setembro. Uma precocidade assim, "nunca vimos, e deve se repetir!", prevê o produtor. "Os viticultores que tiravam férias no fim de agosto vão ter de mudar de hábito!", brinca, esboçando um sorriso.
Por causa do calor, Jérémy Huchet também teve de adaptar os horários de trabalho nas vinhas. Agora, a colheita começa ao nascer do sol, às 6h45, e termina às 13h. "Entrar com uva quente demais é ruim para a qualidade", explica. A nova organização também busca evitar que "as equipes sofram demais".
A temperatura afeta igualmente a quantidade e a qualidade do vinho. Quando uma bela safra parecia se desenhar, "ela será bem mais fraca que o previsto, porque as bagas encolheram", observa François. Se perderam em suco, ganharam em concentração e riqueza: "Esperamos um millésime muito rico, frutado, com bastante volume e amplitude."
Precocidade, quantidade, sabor… O aquecimento global está virando tudo de cabeça para baixo no setor vitivinícola, a ponto de a profissão se ver obrigada a repensar seus parâmetros. Segundo François, é preciso considerar que uma produção agrícola em cada quatro pode ser perdida por causa desses solavancos climáticos. "E o consumidor terá de aceitar pagar um pouco mais caro pelos produtos agrícolas franceses, se quiser continuar tendo agricultores na França, isso é certo", lamenta.