Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (19) a suspensão da entrada de cidadãos não americanos que estiveram em áreas afetadas pelo Ebola nos últimos 21 dias.
A ordem, emitida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), estará em vigor pelos próximos 30 dias e se justifica pela necessidade de "proteger a saúde dos EUA do grave risco representado pela introdução do vírus Ebola no país por estrangeiros".
A medida é válida àqueles que estiveram em Uganda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.
A decisão foi criticada pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a agência de saúde pública da União Africana.
"O CDC reconhece plenamente a responsabilidade soberana de cada governo em proteger a saúde e a segurança de seu povo.
Nossa preocupação é com o uso de restrições severas de viagens como principal ferramenta de saúde pública durante epidemias", afirmou a organização africana em comunicado.
A agência destacou que "restrições severas de viagens e fechamento de fronteiras, em geral, oferecem benefícios limitados à saúde pública, ao mesmo tempo que acarretam consequências econômicas, humanitárias e operacionais significativas." Dessa forma, o CDC exortou a todos os países a "se absterem de impor restrições comerciais ou turísticas desnecessárias como resposta a esta epidemia".
"O mundo deve evitar repetir os erros de emergências sanitárias anteriores, em que medidas motivadas pelo medo causaram graves prejuízos econômicos sem proporcionar benefícios proporcionais à saúde pública", frisou a agência, antes de concluir: "A África precisa de solidariedade, não de estigma."
Além dos EUA, o Bahrein também anunciou o veto de entrada em seu território por um mês de visitantes que passaram pelos países africanos tidos como foco de Ebola.