Após intensos confrontos entre manifestantes e forças de segurança no início da semana, a capital da Bolívia, La Paz, foi tomada nesta terça-feira (19) por milhares de policiais que ergueram barricadas para proteger a Praça Murillo, sede do governo conservador de Rodrigo Paz.
Nesse contexto, também cresceram os apelos ao diálogo a fim de aliviar as tensões que atingiram níveis extremamente altos na segunda-feira (18), com o governo emitindo um mandado de prisão contra um dos líderes dos protestos, Mario Argollo, chefe da Central Operária Boliviana (COB), e contra os manifestantes que exigem a renúncia de Paz.
"Apelo a todos os atores políticos, de todos os grupos sociais, para que ponham fim a essas medidas violentas de uma vez por todas, porque as pessoas estão sofrendo", disse Giovani Arana, secretário da Conferência Episcopal (CEB), que também criticou "a intransigência dos grupos radicais que lideram os protestos".
O comandante da Polícia Nacional, Mirko Sokol, alertou que as autoridades agirão com mais firmeza para evitar mais violência.
"Recebemos relatos de novas marchas a caminho da cidade, mas desta vez agiremos de forma diferente", afirmou.
Ontem, pelo menos 10 pessoas ficaram feridas em Laz Paz, incluindo três jornalistas, após os confrontos entre manifestantes e a polícia no centro da capital.
As manifestações em curso na Bolívia ocorrem há semanas, convocadas por setores considerados próximos ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, como agricultores, professores rurais, cultivadores de coca e trabalhadores filiados à COB.