Centenas de casais casaram-se coletivamente em praças de Teerã, capital do Irã, na noite de segunda-feira, 19, em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel. Segundo a mídia iraniana, ao menos 110 casais participaram da cerimônia apenas na Praça Imam Hossein, no centro da capital.
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Os casamentos foram patrocinados pelo regime. Para participar, os casais precisavam se comprometer a arriscar a própria vida durante a guerra, incluindo ações como formar correntes humanas em locais estratégicos, segundo veículos iranianos. Os participantes estavam inscritos no chamado programa de “auto sacrifício” (janfada, em persa).
Os eventos foram transmitidos pela TV estatal e ocorreram após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas ações militares contra o Irã, apesar do cessar-fogo que interrompeu os combates iniciados em fevereiro.
Imagens divulgadas pela AFP mostram casais chegando à cerimônia em jipes militares equipados com metralhadoras. O palco, decorado com balões, exibia uma grande imagem do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.
De acordo com autoridades iranianas, milhões de pessoas aderiram ao programa de mobilização, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o presidente Masoud Pezeshkian.
“Certamente, o país está em guerra, mas os jovens também têm o direito de se casar”, afirmou uma noiva à agência iraniana Mehr durante a cerimônia.
Outro participante disse à agência ter escolhido a data por coincidir com o aniversário do casamento do imã Ali com Fátima, filha do profeta Maomé, figura simbólica para os muçulmanos xiitas.
Desde o início da guerra, o governo iraniano promove com frequência atos públicos pró-regime, em uma tentativa de demonstrar mobilização e apoio popular em meio ao conflito.