Guerra na Ucrânia abala a sensação de normalidade em Moscou

Com a chegada do verão, a população russa tenta aproveitar os dias de calor, mas a tensão provocada pela guerra na Ucrânia começa, enfim, a atingir até o ambiente requintado dos cafés e restaurantes de Moscou. Até então preservada, a capital funcionava como uma espécie de ilha de abundância em um país onde o descontentamento com o conflito só cresce, destacam os jornais franceses nesta terça-feira (30), quando mais uma ofensiva ucraniana atinge a cidade.

30 jun 2026 - 09h58

Segundo o Le Figaro, "a bolha de negação na qual os russos se mantiveram durante quatro anos não existe mais". O jornal descreve um cotidiano cada vez mais marcado por dificuldades econômicas, restrições à internet e pela aproximação dos ataques com drones.

Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo após um ataque de drone ucraniano durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, em Moscou, Rússia, em 18 de junho de 2026, nesta imagem obtida de redes sociais.
Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo após um ataque de drone ucraniano durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, em Moscou, Rússia, em 18 de junho de 2026, nesta imagem obtida de redes sociais.
Foto: SOCIAL MEDIA via REUTERS - SOCIAL MEDIA / RFI

Nesta terça-feira, por exemplo, o exército ucraniano atingiu pela segunda vez o centro de comunicações via satélite russo em Dubna, perto de Moscou, anunciou o presidente Volodymyr Zelensky, no mais recente de uma série de ofensivas contra instalações semelhantes.

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"Hoje, nossos ataques de longo alcance contra a Rússia nesta guerra atingiram mais uma vez o centro de comunicações espaciais de Dubna, na região de Moscou", declarou o líder ucraniano no Telegram.

Mesmo os setores russos que se beneficiaram da economia de guerra começam a sentir os efeitos da inflação, que corrói ganhos recentes. Ao mesmo tempo, filas para abastecer veículos se multiplicam pelo país, evidenciando a escassez de combustível.

O desgaste do combate também se reflete na opinião pública: o conflito, que chega a cinco anos, já supera em duração a Primeira Guerra Mundial, e atualmente dois terços dos russos são favoráveis à abertura de negociações de paz.

Na semana passada, Volodymyr Zelensky afirmou ter aprovado uma campanha de 40 dias com o objetivo de "influenciar" Moscou a pôr fim à guerra.

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Putin e o controle da narrativa

Para o Le Monde, o presidente Vladimir Putin busca se manter como "o mestre do jogo", apostando em uma estratégia baseada na "negação da realidade, exaltação nacionalista e comunicação sob controle". O jornal aponta que o chefe de Estado conta com o apoio da mídia local e promove um ataque sistemático a qualquer forma de oposição.

De acordo com o diário, o Kremlin também difunde informações falsas, como sobre a extensão dos territórios conquistados na Ucrânia, enquanto, na prática, as tropas russas perderam terreno em maio, pelo segundo mês consecutivo.

Ainda segundo o Le Monde, Putin permanece ancorado em hábitos do passado: não utiliza telefone celular, não envia e-mails e se informa exclusivamente por canais de comunicação controlados, o que o levaria a "acreditar nas próprias mentiras".

Ucrânia amplia ofensiva sobre infraestrutura

O Libération destaca, por sua vez, a estratégia ucraniana de intensificar ataques contra a infraestrutura russa. Alvos como pontes, estradas, depósitos e usinas de energia têm sido atingidos com o objetivo de tornar a ocupação russa cada vez mais insustentável.

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