Erdogan pede integração da Turquia à defesa europeia e critica restrições da UE

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta segunda-feira (29) a "integração" da Turquia às estruturas de defesa europeias e o fim das restrições que atingem sua indústria, às vésperas de uma cúpula da Otan em Ancara, prevista para os dias 7 e 8 de julho.

29 jun 2026 - 10h16

A Turquia foi excluída do programa SAFE da União Europeia, que permite à Comissão Europeia a captação e a distribuição de recursos para apoiar as capacidades industriais e tecnológicas de defesa dos Estados-membros. Essa questão é uma das maiores preocupações do chefe de Estado turco.

"Se quisermos superar os desafios que enfrentamos, devemos dividir o fardo de maneira justa e equilibrada entre nossos aliados, ao mesmo tempo em que eliminamos os obstáculos ao comércio da indústria de defesa", declarou o presidente turco durante discurso na abertura da sessão parlamentar da Otan em Istambul.

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O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, lembrou que um Estado não europeu já tem a possibilidade de participar de projetos de defesa em até 35% no âmbito do programa.

Segundo ele, para que países não europeus se beneficiem de recursos maiores, é necessário firmar um acordo bilateral. Thomas Regnier citou como exemplo o Canadá, com o qual foi feita uma "associação plena". "Até o momento, não concluímos um acordo desse tipo com a Turquia".

Erdogan também insistiu na participação de Ancara "nas iniciativas de defesa e segurança no continente" e na sua inclusão nesses projetos. A Turquia é o segundo maior exército da Otan em número de militares, e sua indústria de defesa ocupa o 11º lugar no mundo, com aumento de 29,5% nas exportações nos cinco primeiros meses do ano. Isso totaliza quase US$ 4 bilhões, contra US$ 7 bilhões em 2024.

Missões passadas

"O que fazíamos em um ano, agora fazemos em uma semana", comemorou o presidente na semana passada. O líder turco também destacou a participação do país em missões passadas da Otan, como no Afeganistão, e o contexto regional em que a Turquia está inserida.

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"Se quisermos superar os desafios que enfrentamos, precisamos eliminar os obstáculos ao comércio da indústria de defesa e garantir uma divisão justa das responsabilidades entre aliados", reiterou.

A Turquia ainda enfrenta desconfiança de alguns países europeus, como França e Alemanha, em razão de suas posições sobre Chipre. Localizada na margem sul do mar Negro, o país desempenhou papel decisivo no início da guerra na Ucrânia ao fornecer a Kiev drones de combate que ajudaram a conter o avanço dos tanques russos.

Além dos drones, a Turquia fabrica tanques, veículos blindados, munições e navios de guerra. O país, que também faz fronteira com Irã, Iraque e Síria ao sul, também se apresenta como um fator de estabilidade às portas do Oriente Médio.

Com agências

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