Stéphane Geneste, da RFI em Paris
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, é uma passagem crucial para o comércio global de hidrocarbonetos. Normalmente, entre 20% e 25% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo transitam por ele. No entanto, quando essa rota é ameaçada ou bloqueada, os países do Golfo buscam soluções alternativas.
A situação pode ser comparada a um engarrafamento em uma rodovia. Quando a via principal está congestionada ou fechada, os motoristas tentam encontrar rotas secundárias. No caso do petróleo, essas rotas alternativas assumem a forma de oleodutos e gasodutos terrestres.
Existem três tipos principais. A primeira rota começa no Iraque e segue em direção à Turquia, mas está atualmente fechada. A segunda atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Ela transporta petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho, até o porto de Yanbu. Por fim, a terceira rota atravessa os Emirados Árabes Unidos. Ela liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, chegando ao porto de Fujairah, que oferece acesso direto ao Oceano Índico.
Capacidade inferior ao tráfego habitual
Uma questão crucial permanece: essas rotas alternativas podem substituir os volumes que normalmente transitam pelo Estreito de Ormuz? A resposta é não.
Se combinarmos as duas rotas atualmente operacionais, a que leva ao Mar Vermelho e a que leva ao Golfo de Omã, sua capacidade chega a aproximadamente 9 milhões de barris por dia. No entanto, em circunstâncias normais, quase 20 milhões de barris transitam pelo Estreito de Ormuz diariamente.
Essas alternativas, portanto, não podem compensar totalmente o fechamento do estreito. Mas oferecem uma solução parcial. Além disso, os efeitos já começam a ser sentidos no tráfego marítimo. Muitos petroleiros agora deixam o Golfo Pérsico para chegar ao Mar Vermelho e à costa oeste da Arábia Saudita. Dado que um único petroleiro pode transportar até dois milhões de barris, essas rotas alternativas ainda representam um volume significativo para os países importadores.
Risco transferido para outro estreito estratégico
Esse redirecionamento do tráfego, no entanto, levanta outra questão estratégica. Para chegar ao Mar Vermelho, os navios precisam atravessar outra passagem crucial: o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado entre o Iêmen e o Chifre da África.
Essa área também é extremamente sensível. Nos últimos meses, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram seus ataques contra navios mercantes na região, principalmente durante o auge da guerra em Gaza.
Mesmo que as companhias de navegação se mantenham cautelosas, o risco continua sendo um fator importante. Em outras palavras, o perigo não desaparece, apenas muda de lugar. É possível contornar o Estreito de Ormuz, mas a zona de risco permanece.
Dependência estrutural dos Estados do Golfo
Em última análise, esta crise revela uma realidade geográfica difícil de contornar. Vários Estados do Golfo permanecem extremamente dependentes do Estreito de Ormuz para suas exportações de hidrocarbonetos.
Isso vale para o Kuwait, o Bahrein e especialmente o Catar, cujas exportações de gás natural liquefeito dependem muito dessa via estratégica. Essas exportações são o principal motor de sua riqueza e crescimento econômico. A segurança das rotas marítimas é, portanto, crucial.
Essa situação ilustra o que alguns geopolíticos chamam de "a vingança da geografia". Apesar da infraestrutura e das estratégias para contornar o estreito, as restrições geográficas continuam a moldar o comércio global de energia. Teoricamente, é possível contornar um estreito. Mas, na realidade, é muito mais difícil contornar a geografia.