A foto de uma das vítimas do ataque a uma escola no Irã viralizou nas redes sociais nesta semana: o registro, feito momentos antes do bombardeiro, mostra o menino Mikaeil Mirdoraghi acenando para mãe antes de ir para a aula. Segundo a mídia local, ele morreu no primeiro dia do conflito, em 28 de fevereiro.
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O ataque à escola de Minab, no sul do Irã, deixou mais de 160 mortos, das quais a maioria era de crianças. O bombardeio é descrito por Teerã como uma ação conjunta entre Estados Unidos e Israel.
Em entrevista à mídia estatal nesta terça-feira, 10, a mãe de Mikaeil afirmou que o filho pediu para que a foto fosse tirada antes de ele sair de casa. Ela também falou sobre os últimos momentos com o filho na noite anterior.
"Ele disse: 'Mãe, a comida que você fez tem o sabor do paraíso'. Eu questionei: 'Meu filho, por que está dizendo isso? Você nunca falou nada assim'", relatou a mãe. Ela contou, ainda, que o menino brincou de guerra com o irmão antes de dormir.
"Por volta de meia-noite, ele colocou os travesseiros ao redor de si, se sentou com o irmão e disse: 'Vamos brincar. Eu sou o Irã e você é a América. Vamos brincar com armas e tanques'. Então eles começaram a se divertir juntos e disse: 'Viu só? O Irã venceu", complementou a mãe.
O nome de Mikaeil surgiu em listas das vítimas do ataque à escola divulgadas pela imprensa iraniana. No dia 3 de fevereiro, o país promoveu uma cerimônia fúnebre coletiva para as vítimas do bombardeio em Minab, a maioria de alunos e funcionários.
Desde então, a foto da despedida do menino viralizou como símbolo do conflito. O episódio é considerado um dos mais letais do conflito envolvendo Teerã até agora, com civis entre os alvos.
As Forças Armadas de Israel e os Estados Unidos afirmaram não ter conhecimento de qualquer operação israelense ou americana na região mencionada.
O incidente foi condenado pela Unesco, agência da ONU para a cultura e a educação, e pela ativista da educação vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai.
Dias após o ocorrido, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, assegurou que as forças americanas 'não atacariam deliberadamente uma escola' e disse que Washington iria investigar o caso.