Irã faz funeral coletivo para vítimas que morreram em ataque a escola primária

Mais de 150 alunas e funcionárias foram mortas no sábado, 28, durante ataque dos Estados Unidos e de Israel ao país

3 mar 2026 - 11h53
(atualizado às 12h07)
Mídia estatal do Irã mostra sepultamento das estudantes mortas em escola atingida em ataque
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O Irã promoveu, nesta terça-feira, 3, uma cerimônia fúnebre coletiva para 165 alunas e funcionárias que morreram no sábado, 28, após um ataque descrito pelo governo como uma ação conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra uma escola feminina na cidade de Minab, no sul do país.

As Forças Armadas de Israel e os Estados Unidos afirmaram não ter conhecimento de qualquer operação israelense ou americana na região mencionada.

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Imagens exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram milhares de pessoas reunidas em uma praça pública de Minab. Homens agitavam bandeiras da República Islâmica e permaneciam, em grande parte, separados das mulheres, que vestiam chadores pretos.

Irã faz funeral coletivo para vítimas que morreram em ataque a escola primária
Irã faz funeral coletivo para vítimas que morreram em ataque a escola primária
Foto: Fars News Agency

Durante a cerimônia, uma mulher que se apresentou como mãe de “Atena” exibiu uma folha com retratos impressos, que classificou como “documento dos crimes americanos”, segundo o jornal Al Jazeera. Ela declarou: “Elas morreram no caminho de Deus”.

Em meio ao ato, a multidão entoou palavras de ordem contra as políticas dos Estados Unidos e de Israel e gritou “Sem rendição”. Familiares das vítimas e autoridades locais também estiveram presentes, de acordo com a Agência Anadolu.

O bombardeio ocorreu no sábado, pouco depois de EUA e Israel anunciarem ataques coordenados contra o Irã, no que vem sendo considerado o episódio mais letal do conflito envolvendo Teerã até agora, com civis entre os alvos.

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Ministro do Irã condena ataques

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, responsabilizou Washington e Tel Aviv pela morte das estudantes.

“Estas são sepulturas que estão sendo cavadas para mais de 160 meninas inocentes que foram mortas no bombardeio conjunto EUA-Israel a uma escola primária. Seus corpos foram dilacerados”, escreveu Araghchi na rede social X, ao publicar a imagem das covas recém-abertas. “É assim que o ‘resgate’ prometido pelo Sr. Trump se parece na realidade. De Gaza a Minab, inocentes assassinados a sangue frio.”

Autoridades iranianas pediram solidariedade e providências da comunidade internacional após hospitais e escolas também terem sido atingidos por bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Paralelamente, o Irã segue lançando mísseis e drones em diferentes pontos da região.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, declarou na segunda-feira que as duas nações “continuam a atacar indiscriminadamente áreas residenciais, sem poupar hospitais, escolas, instalações da Cruz Vermelha ou monumentos culturais”.

A UNESCO, agência das Nações Unidas voltada à educação e à cultura, condenou o episódio. A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, também se manifestou.

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O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas solicitou “uma investigação rápida, imparcial e completa sobre as circunstâncias do ataque”. A porta-voz Ravina Shamdasani afirmou que o gabinete do Alto Comissário Volker Turk ainda não dispõe de informações suficientes para determinar se houve crime de guerra.

“Isto é absolutamente horrível”, declarou Shamdasani, acrescentando que as imagens divulgadas nas redes sociais refletem “a essência da destruição, do desespero, da insensatez e da crueldade deste conflito”. Pelo direito internacional humanitário, atacar deliberadamente escolas, hospitais ou outras estruturas civis pode configurar crime de guerra.

Questionado sobre o caso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na segunda-feira: “O Departamento de Guerra investigaria isso se o ataque foi nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles”. Ele acrescentou que “os Estados Unidos não atacariam uma escola deliberadamente”.

Fonte: Portal Terra
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