A piada feita pelo apresentador Jimmy Kimmel sobre Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump pode colocar em risco a emissora norte-americana ABC, que pertence ao grupo Disney. No caso, porque além do republicano ter pedido pela demissão imediata do comediante, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) determinou uma revisão das licenças de transmissão das emissoras locais da rede. Entenda o caso.
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Segundo informações da NBC News, a ordem da FCC foi emitida na terça-feira, 28, orientando que oito estações da emissora de propriedade da Disney registrassem suas renovações de licença de transmissão. Até então, o prazo para renovação seguia até 2028. Agora as estações têm 30 dias para cumprir a medida.
“A FCC determina que chamar as licenças ABC da Disney para renovação antecipada, neste momento, sob o padrão de interesse público da Lei de Comunicações é essencial dentro do significado dos regulamentos da agência”, disse a agência.
A medida estaria ligada a uma investigação de um ano sobre práticas da Disney, conforme indicado por fontes ao jornal, e foi acelerada após o caso com Jimmy Kimmel.
“A ABC e suas estações têm um longo histórico de operação em total conformidade com as regras da FCC e servir suas comunidades locais com notícias confiáveis, informações de emergência e programação de interesse público”, informou porta-voz da Disney à NBC News, confirmando o recebimento da ordem.
Relembre o caso
Durante uma paródia sobre um evento de Trump com correspondentes, o apresentador Jimmy Kimmel afirmou que Melania tinha "um brilho de uma futura viúva".
A fala ganhou repercussão após um episódio de violência ocorrido horas depois da exibição, quando o presidente norte-americano precisou ser retirado de um jantar de gala em Washington após um homem armado abrir fogo no hotel. O programa, no entanto, foi gravado antes do ataque.
O suspeito do ataque, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, tentou correr em direção à área do evento e foi contido por agentes de segurança perto de uma escadaria que leva ao salão principal, onde acontecia o tradicional jantar anual dos correspondentes da Casa Branca. Segundo autoridades, o homem estava armado com várias armas e aparentava agir sozinho. Durante a ação, um agente federal foi atingido por disparos, mas não se feriu graças ao colete à prova de balas.
"Agradeço que tantas pessoas estejam indignadas com a repugnante incitação à violência feita por Kimmel e, normalmente, eu não responderia a nada do que ele disse, mas isso está muito além de todos os limites", declarou. "Jimmy Kimmel deveria ser demitido imediatamente pela Disney e pela ABC".
Melania Trump também se manifestou nas redes sociais e classificou o apresentador como "covarde". "A retórica odiosa e violenta de Kimmel tem a intenção de dividir nosso país. Seu monólogo sobre minha família não é comédia -- suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política dentro da América", disse, também pedindo pela demissão do apresentador.
Não é a primeira vez que o humorista enfrenta críticas do presidente e seus apoiadores. Em setembro de 2025, o talk show de Kimmel foi suspenso temporariamente após comentários sobre o ativista conservador Charlie Kirk, morto a tiros durante um evento na Utah Valley University. Na ocasião, a ABC retirou a atração do ar por cerca de uma semana. Quando o programa retornou, Trump voltou a atacar a emissora.
"Não consigo acreditar que a ABC Fake News devolveu o emprego ao Jimmy Kimmel. A Casa Branca foi informada pela ABC de que o programa dele tinha sido cancelado! Algo aconteceu entre aquele momento e agora, porque a audiência dele SUMIU, e seu 'talento' nunca existiu", escreveu o presidente na rede Truth Social na ocasião.