A um ano da eleição presidencial, franceses elegem prefeitos em mais de 34 mil cidades

A França está prestes a ir às urnas para as eleições municipais, que acontecem nos dias 15 e 22 de março em 34.875 cidades, incluindo os territórios ultramarinos franceses.

13 mar 2026 - 14h11
(atualizado às 14h21)

Maria Paula Carvalho, da RFI

Os eleitores votam em listas de partidos ou coligações encabeçadas por candidatos que apresentam um projeto para a cidade. As listas precisam respeitar a paridade de gênero, apresentando alternância entre homens e mulheres, para garantir equilíbrio entre os sexos na composição dos candidatos.  

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Depois, são os membros desse conselho municipal, que podem ser comparados aos vereadores no Brasil, que elegem o prefeito entre si, geralmente o "cabeça de lista".

Como funciona o resultado? 

Se uma lista tiver mais de 50% dos votos no primeiro turno, ela automaticamente recebe metade das vagas do Conselho Municipal (equivalente à Câmara de Vereadores no Brasil), com mandato de seis anos. 

A outra metade é distribuída proporcionalmente entre todas as listas que alcançarem pelo menos 5% dos votos. Nesse caso, não há necessidade de segundo turno.

Mas se nenhuma lista alcançar a maioria absoluta, haverá um segundo turno com todas as listas que obtiverem pelo menos 10% dos votos no primeiro turno, ou entre aquelas que formarem alianças. O número de conselheiros municipais varia conforme o tamanho da cidade, sendo no mínimo sete membros. 

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Paris, Lyon e Marselha têm a particularidade de eleger subprefeituras, cujos titulares são eleitos por voto direto.  

O que faz o prefeito na França? 

Comparando o papel do "maire" na França com o do prefeito no Brasil, ambos chefiam a administração local, mas na França, o titular é mais diretamente subordinado ao Conselho Municipal e também exerce funções em nome do Estado. Já o prefeito brasileiro tem maior autonomia executiva, pode propor leis, sancionar ou vetar projetos, sob fiscalização da Câmara Municipal, e não atua como representante do Estado no território.

Chefe do Executivo local, o prefeito francês coloca em prática as decisões tomadas pelo Conselho Municipal e tem a segunda função de atuar como representante do Estado no município. Cabe a ele cuidar das questões de ordem pública, segurança, salubridade e tranquilidade. Além disso, prepara e propõe o orçamento e supervisiona a execução das despesas.

O Conselho Municipal decide sobre questões como imposto predial de residências secundárias, imposto territorial, taxa de coleta de lixo, pavimentação, taxas turísticas e outros tributos locais.

Na França, o voto é facultativo. Outra diferença em relação ao Brasil é o salário. A maioria da equipe tem direito apenas a uma ajuda de custo, e os salários são reservados aos chamados "cargos executivos". Além disso, o prefeito pode ser reeleito quantas vezes quiser.

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A proximidade direta dos cidadãos faz com que os prefeitos tenham a maior confiança da população, na comparação com cargos nacionais: 66% confiam nos seus, segundo pesquisa Ifop. 

Mas a França vive um fenômeno inédito: desde 2020, quase 2.200 prefeitos renunciaram - mais de uma demissão por dia. A violência contra os políticos disparou, com mais de 2.500 agressões registradas somente em 2024, e os prefeitos são as principais vítimas, representando até 68% dos casos.

 

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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