Europa critica decisão dos EUA de aliviar sanções ao petróleo russo

UE defendeu que Ocidente 'mantenha a pressão' sobre Moscou

13 mar 2026 - 14h23
(atualizado às 14h35)

A Europa reagiu nesta sexta-feira (13) à decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aliviar as sanções sobre a aquisição de petróleo da Rússia, medida tomada para conter o choque nos preços da commodity em função da guerra no Irã.

Navio petroleiro russo apreendido pelos EUA em janeiro passado
Navio petroleiro russo apreendido pelos EUA em janeiro passado
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Na última quinta (12), Washington concedeu uma autorização temporária de 30 dias que permite aos países comprarem petróleo russo já em trânsito marítimo sem correr o risco de sofrer represálias.

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Essa é a primeira vez que os EUA aliviam sanções contra uma das principais fontes de recursos de Moscou, liberando para o mercado cerca de 100 milhões de barris que estavam parados no mar, o equivalente a um dia da demanda mundial.

Em publicação nas redes sociais, o presidente do Conselho Europeu, principal instância política da União Europeia, António Costa, definiu a decisão "unilateral" da Casa Branca como "muito preocupante", uma vez que pode ter "efeitos na segurança" do continente.

"Aumentar a pressão econômica sobre a Rússia é fundamental para que ela aceite iniciar negociações sérias por uma paz justa e duradoura. O enfraquecimento das sanções aumenta os recursos à disposição da Rússia para conduzir a guerra de agressão contra a Ucrânia", salientou o português.

Já a porta-voz do poder Executivo da UE, Paula Pinho, alertou que "não é o momento de aliviar as sanções contra a Rússia". "Moscou não pode ser beneficiada pela guerra no Irã", disse.

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O governo do Reino Unido também se pronunciou e defendeu que os aliados "mantenham a pressão" sobre o regime de Vladimir Putin e seus "recursos de guerra", enquanto o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que a decisão da gestão Trump é "errada".

Por sua vez, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o relaxamento das sanções pelos EUA "não favorece a paz" e pode até "reforçar a posição da Rússia". "Quanto mais dinheiro eles tiverem para financiar a máquina de guerra, mais meios eles terão para enviar drones ao Oriente Médio", ressaltou.

Questionado sobre a medida nesta sexta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que é "impossível estabilizar os mercados de energia" sem Moscou.

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