Uma mulher de Chicago baleada várias vezes por um agente da Patrulha de Fronteira planeja processar o agente e o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) após a divulgação de uma série de evidências, colocando em dúvida a versão do governo Trump sobre o incidente, disseram seus advogados em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
Logo após o tiroteio em 4 de outubro, o DHS, que supervisiona a patrulha de fronteira, disse que Marimar Martinez, de 31 anos, havia avançado com o carro contra os agentes. Mas as imagens sugeriram que os próprios agentes podem ter batido em seu veículo.
Vídeos, mensagens de texto, emails e outros registros foram divulgados pelo Ministério Público Federal em Chicago na noite de terça-feira, após um juiz do tribunal distrital afirmar que o governo demonstrou "preocupação zero" com a reputação de Martinez.
Martinez, professora de uma escola Montessori em Chicago, estava seguindo os agentes para alertar os moradores sobre sua presença quando ocorreu a colisão. No vídeo da câmera corporal divulgado na terça-feira, um agente pode ser ouvido dizendo "faça alguma coisa, vadia" pouco antes dos veículos se chocarem.
Um agente no veículo, conduzido pelo agente da Patrulha de Fronteira Charles Exum e com um sinal da Uber, disse que eles estavam sendo encurralados.
"É hora de ser agressivo", disse o agente, acrescentando: "vamos fazer contato".
Após a colisão, Exum saiu do veículo e disparou cinco tiros. As fotografias do FBI divulgadas mostram diversas marcas de bala no para-brisa do veículo de Martinez e uma janela traseira do passageiro quebrada. O interior do veículo estava manchado de sangue.
O advogado de Martinez, Christopher Parente, disse nesta quarta-feira que Exum está sob investigação criminal pelo Ministério Público Federal em South Bend, Indiana.
O Ministério Público Federal em South Bend não respondeu a um pedido de comentário. O Ministério Público Federal em Chicago se recusou a comentar.
Após o tiroteio, Martinez fugiu de carro e foi levada de ambulância a um hospital local. O DHS divulgou um comunicado após o tiroteio dizendo que Martinez havia "emboscado" o veículo da patrulha de fronteira e que um agente havia atirado em legítima defesa.
Martinez foi indiciada sob a acusação de impedir um agente federal. As acusações foram retiradas em novembro, mas uma declaração do DHS rotulando-a de "terrorista doméstica" permaneceu online.
Martinez disse que solicitou a divulgação dos registros após os disparos fatais de agentes federais de imigração contra os manifestantes Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis no mês passado e para limpar seu nome.