Confrontos sectários perto da capital síria deixam mais de uma dezena de mortos

29 abr 2025 - 11h06

Mais de uma dezena de pessoas foram mortas em uma cidade predominantemente drusa, perto da capital síria, na terça-feira, em confrontos provocados por uma suposta gravação de um homem druso xingando o profeta Maomé, o que enfureceu pistoleiros sunitas, disseram socorristas e fontes de segurança.

Os confrontos marcaram o mais recente episódio de violência sectária mortal na Síria, onde os temores entre as minorias têm aumentado desde que os rebeldes liderados pelos islâmicos expulsaram o ex-líder Bashar al-Assad do poder em dezembro, instalando seu próprio governo e forças de segurança.

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Esses temores aumentaram após o assassinato de centenas de alauítas em março, em aparente vingança por um ataque de partidários de Assad.

Os confrontos começaram durante a noite, quando homens armados da cidade vizinha de Maliha e de outras áreas predominantemente sunitas convergiram para a cidade de Jaramana, de maioria drusa, a sudeste de Damasco, segundo fontes de segurança.

Os combates, com disparos de armas pequenas e médias, deixaram 13 pessoas mortas, de acordo com equipes de resgate locais.

Entre os mortos estavam dois membros do Serviço de Segurança Geral da Síria, uma nova força de segurança composta em sua maioria por ex-rebeldes, de acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Mustafa al-Abdo.

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Abdo negou que homens armados tenham atacado a cidade, dizendo, em vez disso, que grupos de civis irritados com a gravação de voz haviam realizado um protesto que foi atacado por grupos drusos.

O Ministério do Interior disse em um comunicado que estava investigando a origem da gravação de voz e pediu calma, instando os cidadãos a não deixar que as emoções levem à violência ou a danos à propriedade pública.

Os anciãos drusos se reuniram com as forças de segurança em uma tentativa de evitar uma nova escalada, declarou uma fonte de segurança síria.

"O que foi dito por alguns indivíduos contra o nosso profeta representa apenas eles e é rejeitado por nós e por toda a sociedade", disse o líder religioso druso Yousef Jarbou, conclamando ambas as comunidades a rejeitarem os esforços para alimentar as divisões sectárias.

A guerra de quase 14 anos na Síria dividiu o país em várias zonas de influência, com os drusos -- uma minoria árabe que pratica uma religião originalmente derivada do Islã -- se armando para defender suas próprias localidades.

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