Cerca de 100 colonos atacaram forças israelenses na Cisjordânia para impedir a devolução de três casas ocupadas a famílias palestinas, determinada pela Suprema Corte. Os manifestantes incendiaram veículos, uma residência e atiraram pedras contra policiais, forçando a retirada dos palestinos e gerando três prisões. A violência foi amplamente condenada por líderes israelenses, incluindo o premiê Benjamin Netanyahu, em meio a críticas judiciais sobre a falha do exército em proteger os civis.
Confrontos entre cerca de 100 colonos e forças de segurança de Israel foram registrados durante a noite da última segunda-feira (28) no vilarejo palestino de Jalud, na região central da Cisjordânia.
Segundo a imprensa israelense, os agentes haviam sido enviados para cumprir uma decisão da Suprema Corte que determinava a devolução de três casas palestinas ocupadas por colonos em julho.
A operação tinha como objetivo permitir o retorno de famílias palestinas às suas residências, depois de elas terem sido expulsas por grupos de colonos. A família de Muhammad Tubasi estava entre as que deveriam voltar para casa, sob escolta das Forças de Defesa de Israel (IDF).
De acordo com relatos divulgados pelo "The Times of Israel" e pela emissora pública Kan, os colonos bloquearam estradas, incendiaram pneus e veículos, atiraram pedras contra soldados e policiais e atearam fogo a uma das casas.
Tubasi afirmou que sua residência e seu carro foram incendiados.
A família conseguiu deixar o local sem ferimentos depois que soldados a retiraram da área.
A Suprema Corte havia determinado, em 6 de setembro, que o Estado devolvesse a residência à família no prazo de duas semanas. Segundo informações da imprensa israelense, a família havia sido expulsa no fim de julho, após semanas de cerco à propriedade, que posteriormente teria sido ocupada por colonos.
Devido aos distúrbios, as autoridades israelenses foram obrigadas a retirar os membros da família da área. A polícia informou a prisão de três colonos suspeitos de participação nos confrontos.
Entre os detidos estão dois adolescentes, de 15 e 17 anos. Além disso, os agentes apreenderam uma balaclava e um porrete, que foram encontrados em um veículo relacionado aos suspeitos.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, condenou os ataques e afirmou que a violência contra palestinos e forças de segurança constitui uma violação do Estado de Direito.
"A violência grave praticada por desordeiros na calada da noite é um ato extremamente sério que deve ser tratado com todo o rigor da lei", declarou Herzog, classificando o episódio como uma "mancha moral" e um golpe contra os valores do Estado.
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também condenou os confrontos e afirmou que os responsáveis devem ser punidos.
Segundo ele, um "pequeno grupo de agitadores" não representa os colonos que respeitam a lei na Cisjordânia. Netanyahu manifestou ainda apoio aos soldados das IDF e aos policiais envolvidos na operação.
Israel Gantz, chefe do Conselho Yesha, organização que representa os colonos da Cisjordânia, também pediu uma atuação firme da polícia contra os responsáveis pela violência.
Para Gantz, a legislação deve ser aplicada na Cisjordânia da mesma maneira que em outras partes de Israel.
Durante a mesma noite, veículos de imprensa palestinos relataram outros episódios de violência atribuídos a colonos israelenses.
No vilarejo de Qaryut, no norte da Cisjordânia, colonos teriam invadido a localidade e agredido uma mulher idosa, que ficou ferida.
Em al-Mughayyir, outro vilarejo da região, um coquetel molotov teria sido lançado pela janela de uma residência enquanto uma família dormia. Não há, até o momento dos relatos, informações sobre feridos nesse ataque.
Os episódios ocorrem em meio a críticas sobre a atuação das forças israelenses na proteção de moradores palestinos diante da violência de colonos.
Em uma decisão publicada recentemente, a Suprema Corte de Justiça de Israel criticou a atuação das IDF em um caso ocorrido no vilarejo de Qusra, também na Cisjordânia.
A ação judicial havia sido apresentada por moradores que afirmavam ter sido obrigados a deixar suas casas após meses de assédio e violência atribuídos a colonos.
De acordo com a decisão, a responsabilidade pela segurança dos palestinos na área cabe às IDF, sob a autoridade do comandante militar. Os juízes consideraram "inconcebível" que os moradores tenham sido obrigados a abandonar suas casas sem que as forças de segurança conseguissem garantir adequadamente sua proteção e a de seus bens.
A Corte também afirmou que a violência de colonos contra palestinos prejudica a imagem de Israel como Estado regido pelo Estado de Direito e é incompatível com princípios fundamentais do Estado israelense.
"É um fenômeno absolutamente inaceitável, contrário aos valores morais e princípios fundamentais do Estado de Israel como um Estado judaico e democrático, e contrário aos princípios de liberdade, integridade e justiça presentes na tradição de Israel e dos profetas de Israel", conclui a decisão. .