Agência da ONU alerta que crise de financiamento pode deixar 8,3 milhões sem ajuda

29 set 2026 - 09h32
(atualizado às 09h46)
Resumo
O Acnur alertou que uma crise histórica de financiamento, com déficit de US$ 5,78 bilhões, pode deixar 8,3 milhões de refugiados sem assistência e levar sistemas de proteção ao colapso. Afetada por cortes de doadores, a agência recebeu apenas 32% do orçamento necessário para atender um recorde previsto de 131,2 milhões de pessoas. A escassez de verbas já provocou demissões e fechamento de escritórios, comprometendo registros e serviços vitais em locais críticos como Sudão, Chade e Afeganistão.

Uma crise de financiamento cada ‌vez mais grave pode deixar quase 8,3 milhões de refugiados e pessoas deslocadas à força sem acesso à assistência este ano e levar os sistemas de proteção em alguns países à beira do colapso, alertou nesta terça-feira a agência das Nações Unidas para os refugiados.

O Acnur enfrenta uma das piores crises de financiamento de sua ⁠história, após cortes na ajuda por parte dos Estados Unidos e de outros países. A ‌agência enfrenta um déficit de US$5,789 bilhões, de acordo com um novo relatório da agência, depois que os recursos disponíveis caíram 24% entre 2024 e 2025.

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Até julho, ‌o Acnur havia recebido apenas 32% dos US$8,505 ‌bilhões de que precisava em 2026, enquanto o número de pessoas deslocadas ⁠à força e apátridas em todo o mundo permanece próximo a níveis recordes.

O Acnur prevê que a população sob seu mandato chegue a 131,2 milhões até o final do ano, ante 129,4 milhões no final do ano passado.

"Abaixo de um certo limite, o sistema não se reduz, ele entra em colapso", afirmou a agência no relatório de ‌26 páginas que descreve o impacto dos cortes orçamentários no registro de refugiados, nos programas ‌de proteção à criança e ⁠nos serviços para ⁠sobreviventes de violência de gênero.

O relatório destacou consequências graves em países que acolhem grandes populações deslocadas. ⁠No Chade, para onde refugiados fugiram do ‌conflito no vizinho Sudão, 319 ‌mil pessoas enfrentam atrasos no registro, enquanto 200 mil mulheres e meninas podem perder o acesso a espaços seguros e programas de prevenção.

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No Sudão — que a ONU considera a pior crise de deslocamento do mundo devido à guerra civil ⁠que entrou em seu quarto ano em abril — cerca de 140 mil refugiados e requerentes de asilo continuavam sem registro até meados do ano, após a suspensão das atividades de registro nos primeiros cinco meses de 2026.

No Afeganistão, os subsídios do Acnur concedidos às pessoas que retornam ao ‌país foram reduzidos de US$375 para US$170 por pessoa, enquanto o país recebeu mais de um milhão de pessoas somente neste ano, devido a retornos forçados ou ⁠voluntários de países vizinhos, incluindo o Irã e o Paquistão.

O Acnur afirmou que novas medidas de redução de custos não poderiam compensar o déficit de financiamento, após já ter reduzido sua força de trabalho em 33% em 2025, fechado escritórios em 140 locais e descontinuado operações em 15 países em comparação com 2024.

A agência também afirmou que uma parcela crescente dos recursos dos doadores é estritamente destinada a fins específicos, passando de 19% há cinco anos para 51% em 2026, o que limita sua capacidade de redirecionar recursos para as prioridades mais urgentes.

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O Acnur alertou que a redução do financiamento está gradualmente prejudicando o sistema de proteção, aumentando o risco de que refugiados permaneçam sem documentação e de que sobreviventes de violência de gênero fiquem sem o apoio de que precisam.

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