Os ativistas italianos da Flotilha Global Sumud capturados por Israel denunciaram "uso de força" por parte de Tel Aviv contra as embarcações da missão humanitária rumo à Faixa de Gaza.
Ainda não está clara a tipologia dos projéteis disparados pelos israelenses contra os barcos da ONG: se seriam balas "de verdade" ou "de borracha", afirmou a porta-voz italiana da Flotilha Global Sumud, Maria Elena Delia, em um vídeo divulgado nesta terça-feira (19).
"Seis embarcações foram atingidas. Uma delas, a Girolama, ostenta a bandeira italiana. Mesmo que os projéteis sejam de borracha, é extremamente grave. Eles [forças de Israel] já estão cometendo um crime [ao capturar os ativistas em águas internacionais] e agora também estão usando armas", disse Delia.
Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores de Roma emitida hoje, o chefe da pasta, Antonio Tajani, pediu "uma investigação urgente sobre o uso da força pelas autoridades israelenses contra as embarcações da Flotilha".
A expectativa é que os 27 italianos capturados desembarquem nesta terça no porto de Ashdod, no país judeu.
A Flotilha Global Sumud informou que ativistas de mais de 40 países, "entre médicos, jornalistas e defensores dos direitos humanos", que navegavam em diversas embarcações da ONG pelo Mar Mediterrâneo enquanto tentavam chegar à Gaza, foram interceptados por forças de Israel.
O Ministério das Relações de ao menos dez países, incluindo Brasil, Jordânia, Indonésia, Espanha, Paquistão, Bangladesh, Turquia, Colômbia, Líbia e Maldivas condenaram os ataques de Tel Aviv contra a Flotilha Global Sumud.
Em uma declaração conjunta, divulgada pela agência de notícias Kuna, os chanceleres expressaram "profunda preocupação" com as intervenções de Israel contra flotilhas em águas internacionais e condenaram as contínuas ações hostis contra embarcações civis e ativistas humanitários.
Afirmaram ainda que os ataques, incluindo incursões a embarcações e a detenção arbitrária de ativistas, constituem "violações flagrantes do direito internacional e humanitário".
Os participantes da Flotilha tentavam levar alimentos e medicamentos à população palestina em Gaza, arruinada pela guerra entre Israel e Hamas.
Nos últimos dias, o ativista brasileiro Thiago Ávilla foi deportado após ser detido por Tel Aviv em outra missão da Flotilha.