Após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, Donald Trump nomeou Stephen Miller como novo chefe de gabinete da Casa Branca, em substituição a Susie Wiles. Visto como o "cérebro" do presidente e expoente da direita radical, Miller destacou-se nos bastidores como mentor de duras políticas anti-imigração, a exemplo do "Muslim ban". Sua ascensão amplia sua influência sobre o governo e a política externa, gerando forte reação da oposição democrata, que promete combatê-lo no cargo.
Esta é a primeira grande reformulação no Executivo americano após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, interpretada como uma rejeição à primeira metade do segundo mandato de Trump. A atual chefe de gabinete, Susie Wiles, de 69 anos, passará a exercer outras funções ligadas ao bilionário, mas fora do governo.
Três dias após a derrota eleitoral, Trump anunciou a substituição de Wiles por Stephen Miller, de 41 anos, um homem que ele descreve como um de seus conselheiros "mais dignos de confiança".
A função de chefe de gabinete consiste em filtrar as informações e as pessoas que têm acesso ao chefe de Estado), ao mesmo tempo em que assegura, no dia a dia, o bom funcionamento da máquina governamental. "Stephen Miller é o 'cérebro de Trump'", disse ao New York Times Kevin McCarthy, ex-presidente da Câmara dos Representantes, pouco antes da posse do presidente republicano em janeiro de 2025.
Atuação na política de imigração
Segundo o Wall Street Journal, foi Miller quem, em maio de 2025, deu ordens ao ICE - a agência federal responsável pela imigração - para intensificar a fiscalização migratória, uma vez que o número de deportações diárias estava abaixo do registrado no ano anterior, sob a gestão de Joe Biden.
Ele também foi um dos idealizadores do "Muslim ban", as restrições de entrada no país impostas a cidadãos de nações de maioria muçulmana, que acabaram sendo contestadas na justiça.
Stephen Miller atuava, até então, como uma "eminência parda" - um assessor influente nos bastidores - nas políticas de combate à imigração, o pilar central do programa do presidente americano. Como chefe de gabinete, poderia ampliar sua influência sobre outras áreas do governo, inclusive a política externa de Trump regida pela força, seja para se apropriar de recursos naturais ou para derrubar governos estrangeiros.
"A América", diz ele, "deve estar pronta para tudo a fim de preservar seus interesses."
Idealizador do 'Muslim ban'
Nascido na Califórnia em uma família judaica, filho de pais que frequentaram universidades de prestígio, Stephen Miller tinha, a princípio, o perfil de um eleitor democrata. No entanto, ainda no ensino médio e, posteriormente, na Universidade Duke, na Carolina do Norte, ele passou a defender ideias da direita radical.
David Horowitz, um influente ideólogo conservador, facilitou sua entrada nos círculos ultraconservadores, onde ele conheceu figuras como Steve Bannon e Tucker Carlson, antes de integrar, aos 30 anos, a primeira campanha de Donald Trump.
O novo chefe de gabinete apoiou Donald Trump quando manifestantes invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, na tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden.
Democratas reagem
O líder dos democratas no Senado americano, Chuck Schumer, comprometeu-se, na sexta-feira, a "combater cada passo" do novo chefe de gabinete da Casa Branca, a quem descreve como "o arquiteto das políticas mais bárbaras e desumanas" do governo Trump.
O presidente "não aprendeu nada com sua derrota histórica", declarou Chuck Schumer nas redes sociais, acrescentando que Trump "não poderia ter feito uma escolha pior" do que Stephen Miller.