Preço do petróleo recua após fala de Trump, que ameaça Irã com ataques 'vinte vezes mais fortes'

No 11º dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, os mercados globais reagiram a sinais contraditórios vindos da Casa Branca. Os preços do petróleo recuaram depois que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o conflito pode terminar "muito em breve". Ao mesmo tempo, o líder republicano elevou o tom nas redes sociais ao advertir que qualquer tentativa do Irã de bloquear o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz provocaria uma resposta militar dos Estados Unidos "vinte vezes mais forte" do que as operações realizadas até agora.

10 mar 2026 - 06h18

Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

A escalada militar teve efeito imediato nos mercados de energia. Na segunda-feira (9), o barril de Brent, referência internacional do petróleo, chegou a ultrapassar US$ 100, atingindo o nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Em determinado momento, o preço se aproximou de US$ 120, o que provocou quedas nas bolsas da Ásia e da Europa e pressionou também os índices em Wall Street.

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O movimento começou a se reverter depois das declarações de Trump sugerindo que a campanha militar pode estar próxima do fim. Com isso, o preço do Brent recuou e voltou para a faixa de US$ 99 o barril.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca tenta evitar uma nova disparada no preço da energia. Trump sugeriu que os Estados Unidos podem flexibilizar sanções contra alguns países para aumentar a oferta de petróleo no mercado internacional. O governo americano já autorizou, por exemplo, uma licença temporária de 30 dias para que a Índia compre petróleo russo de navios que estavam parados no mar.

Mesmo assim, o presidente deixou claro que uma escalada no Golfo Pérsico continua sendo uma possibilidade. Segundo Trump, qualquer tentativa iraniana de interromper o fluxo de petróleo será respondida com força.

A ameaça sobre o Estreito de Ormuz

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que o Irã "mantenha o mundo refém do petróleo". Segundo ele, caso Teerã tente bloquear o Estreito de Ormuz, Washington reagirá com ataques "vinte vezes mais fortes" do que os realizados até agora.

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A declaração aumentou o temor de uma ampliação do conflito. O Estreito de Ormuz concentra uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta: cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo passa pela região, localizada entre o Irã e Omã. Analistas alertam que qualquer tentativa de bloqueio poderia provocar uma crise energética internacional e desencadear uma resposta militar ainda maior dos Estados Unidos e de seus aliados.

Apesar das ameaças, Trump tem adotado um tom otimista sobre o andamento da guerra. O presidente descreveu a ofensiva, batizada de Operação Fúria Épica, como "uma das operações militares mais complexas e impressionantes já realizadas".

Segundo ele, a campanha seria uma espécie de "incursão de curto prazo" e estaria adiantada em relação ao cronograma. Trump chegou a afirmar que o conflito pode terminar "muito em breve".

Ainda assim, o presidente americano evitou declarar vitória. Ele disse que os Estados Unidos "já venceram de muitas maneiras, mas ainda não o suficiente", e afirmou que a operação só será considerada concluída quando o Irã não tiver mais capacidade de atacar os Estados Unidos, Israel ou aliados americanos na região.

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O líder republicano também comentou a sucessão política em Teerã após a morte do aiatolá Ali Khamenei, nos primeiros dias do conflito. Trump criticou a escolha do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, dizendo estar "decepcionado" com a decisão e sugerindo que a mudança pode manter os mesmos problemas políticos no país. Israel já sinalizou que o novo líder iraniano também pode se tornar alvo militar, o que aumenta ainda mais a tensão. 

Ataque a escola aumenta pressão internacional

Um dos episódios mais chocantes da guerra ocorreu na cidade iraniana de Minab. Um ataque que tinha como alvo uma base naval da Guarda Revolucionária acabou atingindo uma escola primária próxima, provocando a morte de dezenas de pessoas, muitas delas crianças.

Imagens divulgadas pela agência iraniana Mehr e analisadas por investigadores independentes do grupo Bellingcat indicam que o local foi atingido durante uma série de bombardeios americanos. Segundo essas análises, o ataque teria sido realizado com um míssil Tomahawk, armamento utilizado pelas forças armadas dos Estados Unidos.

Questionado sobre o caso, Trump afirmou que o episódio ainda está sob investigação. O presidente também sugeriu, sem apresentar provas, que o ataque poderia ter sido realizado pelo próprio Irã ou por "algum outro país", argumentando que outros governos também possuem esse tipo de míssil.

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O caso aumentou a pressão internacional sobre Washington e intensificou as preocupações sobre vítimas civis no conflito.

Seleção feminina do Irã pede proteção

A guerra também tem repercussões humanitárias a milhares de quilômetros de distância do Oriente Médio. Um dos casos mais simbólicos envolve a seleção feminina de futebol do Irã, que viajou à Austrália para disputar a Copa da Ásia. 

Durante uma partida do torneio, algumas jogadoras decidiram não cantar o hino nacional, em um gesto interpretado como protesto contra o regime iraniano. Após o episódio, a imprensa estatal do país passou a chamar as atletas de "traidoras", o que levantou preocupações sobre a segurança delas na volta ao Irã.

Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, defendendo que as jogadoras recebessem asilo político para não correrem risco de morte ao retornarem ao país. 

Até o momento, cinco atletas, entre elas, a capitã Zahra Ghanbari, já receberam proteção oficial do governo australiano, o que permite que permaneçam na Austrália. As jogadoras também receberam convite para treinar com um clube da liga feminina do país.

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Outras integrantes da equipe ainda avaliam o pedido asilo e estão sendo orientadas por advogados sobre as opções legais.

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