Os Estados Unidos não escondem o desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e não relaxam sua pressão sobre Havana. Devido ao embargo de Washington, nenhum navio carregado de combustível entrou oficialmente em Cuba nos últimos dois meses.
"Há discussões em andamento entre nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários e o governo dos Estados Unidos para garantir o acesso a combustível para fins humanitários", declarou Pichón com exclusividade à agência AFP.
Ele detalhou que, quando fala em fins humanitários, está se referindo à entrega de combustível para nossas operações de resposta a emergências (...) e para garantir serviços vitais nesses centros de atendimento a pessoas e grupos vulneráveis. O representante das Nações Unidas em Havana enfatizou que o acesso ao produto pelas agências da ONU está fortemente racionado devido à crise.
"A viabilidade operacional da nossa resposta enquanto sistema das Nações Unidas depende do acesso à energia e ao combustível e, neste momento, está comprometida", salientou.
Segundo ele, as visitas no terreno são raras. Outro problema é a menor disponibilidade de transporte de carga na ilha, cujos serviços sofrem aumentos de preços devido à escassez. Consequentemente, há muita restrição para transferir a ajuda humanitária que chega aos aeroportos e portos do país para as províncias.
Crise energética
A crise energética na ilha de 9,6 milhões de habitantes se agravou após a captura, por forças americanas, do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro. A prisão de Maduro provocou a interrupção abrupta dos envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de combustível da ilha nos últimos 25 anos.
Os Estados Unidos justificam a pressão máxima que exercem contra Havana pela ameaça excepcional representada pela ilha comunista, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida.
Diante da crise energética, o governo cubano implementou um pacote de medidas emergenciais, que incluem uma drástica restrição à venda de combustível. Mas a crise se intensifica a cada dia no país, que vem enfrentando uma série de apagões.
Na última quinta-feira, dois terços do território, incluindo Havana, ficaram sem energia. O corte, que deixou 1,7 milhão de habitantes sem luz, foi causado por uma desconexão parcial da rede devido a uma falha inesperada na usina Antonio Guiteras, a principal geradora do país.
O governo cubano autorizou a associação entre empresas públicas e privadas pela primeira vez em quase 60 anos, uma alternativa para tentar superar as dificuldades. O monopólio estatal nos setores de saúde, educação e defesa foi mantido.
Havana acusa Donald Trump de querer sufocar a economia da ilha comunista, que está sob embargo dos EUA desde 1962 e sofreu com o endurecimento das sanções americanas nos últimos anos.
Com AFP