ONU negocia com EUA o envio de combustível a Cuba com fins humanitários

A ONU está negociando com o governo dos Estados Unidos a autorização de entrada de combustível em Cuba para fins humanitários, em meio ao embargo de petróleo imposto por Washington à ilha. A informação foi revelada nesta segunda-feira (9) pelo representante da ONU em Havana, Francisco Pichón.

9 mar 2026 - 16h51

Os Estados Unidos não escondem o desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e não relaxam sua pressão sobre Havana. Devido ao embargo de Washington, nenhum navio carregado de combustível entrou oficialmente em Cuba nos últimos dois meses.

Cubanos atravessam a pé um cruzamento em Havana onde os semáforos deixaram de funcionar por causa de um apagão, em 4 de março de 2026.
Cubanos atravessam a pé um cruzamento em Havana onde os semáforos deixaram de funcionar por causa de um apagão, em 4 de março de 2026.
Foto: © Norlys Perez / REUTERS / RFI

"Há discussões em andamento entre nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários e o governo dos Estados Unidos para garantir o acesso a combustível para fins humanitários", declarou Pichón com exclusividade à agência AFP.

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Ele detalhou que, quando fala em fins humanitários, está se referindo à entrega de combustível para nossas operações de resposta a emergências (...) e para garantir serviços vitais nesses centros de atendimento a pessoas e grupos vulneráveis. O representante das Nações Unidas em Havana enfatizou que o acesso ao produto pelas agências da ONU está fortemente racionado devido à crise.

"A viabilidade operacional da nossa resposta enquanto sistema das Nações Unidas depende do acesso à energia e ao combustível e, neste momento, está comprometida", salientou.

Segundo ele, as visitas no terreno são raras. Outro problema é a menor disponibilidade de transporte de carga na ilha, cujos serviços sofrem aumentos de preços devido à escassez. Consequentemente, há muita restrição para transferir a ajuda humanitária que chega aos aeroportos e portos do país para as províncias.

Crise energética

A crise energética na ilha de 9,6 milhões de habitantes se agravou após a captura, por forças americanas, do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro. A prisão de Maduro provocou a interrupção abrupta dos envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de combustível da ilha nos últimos 25 anos.

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Os Estados Unidos justificam a pressão máxima que exercem contra Havana pela ameaça excepcional representada pela ilha comunista, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida.

Diante da crise energética, o governo cubano implementou um pacote de medidas emergenciais, que incluem uma drástica restrição à venda de combustível. Mas a crise se intensifica a cada dia no país, que vem enfrentando uma série de apagões.

Na última quinta-feira, dois terços do território, incluindo Havana, ficaram sem energia. O corte, que deixou 1,7 milhão de habitantes sem luz, foi causado por uma desconexão parcial da rede devido a uma falha inesperada na usina Antonio Guiteras, a principal geradora do país.

O governo cubano autorizou a associação entre empresas públicas e privadas pela primeira vez em quase 60 anos, uma alternativa para tentar superar as dificuldades. O monopólio estatal nos setores de saúde, educação e defesa foi mantido.

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Havana acusa Donald Trump de querer sufocar a economia da ilha comunista, que está sob embargo dos EUA desde 1962 e sofreu com o endurecimento das sanções americanas nos últimos anos.

Com AFP

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