Colômbia: esquerda de Gustavo Petro consolida liderança no Congresso após eleições legislativas

A esquerda, do atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu vitoriosa das eleições legislativas realizadas neste domingo (8), consolidando sua liderança no Congresso. Metade dos 41 milhões de eleitores registrados não votou, refletindo a taxa de abstenção usual. No mesmo dia também ocorreram as primárias presidenciais de cada coligação.

9 mar 2026 - 07h30

Diana Jallon e Marie-Eve Detoeuf, correspondentes da RFI na Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursa após votar em uma seção durante as eleições legislativas em Bogotá, em 8 de março de 2026.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursa após votar em uma seção durante as eleições legislativas em Bogotá, em 8 de março de 2026.
Foto: AFP - RAUL ARBOLEDA / RFI

As eleições legislativas resultaram em um Congresso fragmentado, que tomará posse em 20 de julho.A coligação Pacto Histórico, liderada por Petro, reforçou sua posição como a principal força política no Senado e na Câmara dos Deputados, recebendo quase um quarto dos votos e a mesma proporção de cadeiras.

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O partido de oposição Centro Democrático (extrema direita), fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, ficou em segundo lugar, com aproximadamente 16% dos votos. Uribe, no entanto, não foi eleito senador, marcando a primeira vez em sua carreira política que fica sem uma cadeira no Congresso.

Isso significa que nenhum bloco detém a maioria absoluta, confirmando um parlamento dividido. Embora esse cenário dê ao partido governista vantagem numérica de parlamentares, não lhe confere o poder necessário para governar sem alianças.

Para o candidato de esquerda Iván Cepeda, seu partido continua sendo a maior força política da Colômbia. "O que sentimos e vivenciamos no país se confirma hoje nas urnas e nas seções eleitorais. Somos a principal força política colombiana. Hoje começa nosso segundo semestre com um bloco forte", disse ele no domingo.

O partido Comunes, que reuniu ex-membros da guerrilha das FARC, não conquistou nenhuma cadeira. O dia de votação transcorreu sem incidentes graves, mas a campanha eleitoral nas últimas semanas foi marcada pela violência, segundo a AFP, cometida principalmente por grupos armados (guerrilhas, paramilitares, cartéis) que disputam o controle do mercado de cocaína, do qual a Colômbia é o maior produtor mundial.

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Primárias presidenciais

Em paralelo às eleições legislativas, neste domingo também ocorreram as primárias presidenciais de cada coligação. Entre os partidos de direita, quem venceu foi a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático.

Na corrida presidencial, ela deverá enfrentar Iván Cepeda, escolhido como candidato da esquerda. Esse resultado renovou a esperança entre eleitores de direita, como Richard Lara: "Espero que o país retorne à ordem por meio de grupos que não sejam de esquerda. Eles não estão governando bem, então espero que o país volte ao caminho que define a Colômbia".

Atualmente, no entanto, todas as pesquisas mostram Cepeda à frente no primeiro turno, com mais de 30% dos votos.

Para outros eleitores, como Diego Riaño, esse pleito produziu "resultados normais e aceitáveis; era o que se esperava". O primeiro turno da eleição presidencial será realizado em 31 de maio, para definir o sucessor de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.

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