Colômbia vai às urnas para renovar o Congresso antes de eleição presidencial

As eleições legislativas devem medir o clima político do país antes da disputa presidencial de maio

8 mar 2026 - 12h15
(atualizado às 12h52)
Rua de Caloto, no departamento do Cauca, na Colômbia, com propagandas eleitoral para a votação deste domingo, 8 de março de 2026.
Rua de Caloto, no departamento do Cauca, na Colômbia, com propagandas eleitoral para a votação deste domingo, 8 de março de 2026.
Foto: © Joaquin Sarmiento / AFP / RFI

Os colombianos votam neste domingo, 8, para renovar o Congresso. As eleições legislativas devem medir o clima político do país antes da disputa presidencial de maio. O atual presidente, o esquerdista Gustavo Petro, que não pode concorrer à reeleição, tenta impulsionar seu sucessor.

Mais de 41 milhões de colombianos estão registrados para votar e escolher os 285 parlamentares do país. Mais de três mil candidatos disputam as 102 cadeiras do Senado e as 183 da Câmara dos Representantes. A votação começou às 8h da manhã, pelo horário local, e terminam às 16h (18h em Brasília). 

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Os aliados de Petro buscam ampliar sua presença no Legislativo e manter as chances da esquerda de permanecer no poder. Já a direita colombiana, que já foi a principal força política do país, espera recuperar terreno antes das eleições presidenciais de 31 de maio.

O Congresso atual aprovou algumas das ambiciosas reformas propostas pelo primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. No entanto, perto do fim do mandato, rejeitou iniciativas emblemáticas, como a mudança no sistema de saúde e uma reforma fiscal que aumentaria impostos para os mais ricos.

Essas rejeições provocaram manifestações frequentes e levaram Petro a intensificar seus discursos contra a oposição no Congresso. A confiança da população no Legislativo diminuiu nos últimos anos, em meio a diversos escândalos de corrupção, num país que ainda tenta superar mais de meio século de conflito armado.

A nova legislatura começa em 20 de julho, quase três semanas antes da posse do presidente eleito em maio.

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Diante do descrédito dos eleitores, partidos recorreram a influenciadores digitais para atrair votos. Outra novidade dessa eleição é uma candidata criada por inteligência artificial também está na disputa. Chamada "Gaitana", ela aparece nas redes sociais como uma mulher de pele azul, vestindo uma saia de penas e defendendo a proteção ao meio ambiente e aos animais. Gaitana é uma estratégia de campanha de um candidato real que tenta conquistar uma das cadeiras reservadas às comunidades indígenas da Colômbia.

Esquerda favorita

As pesquisas apontam como favoritos para a disputa presidencial o senador de esquerda Iván Cepeda — do mesmo partido de Gustavo Petro — e Abelardo de la Espriella, advogado alinhado à direita e que se apresenta como um "outsider".

Líder nas pesquisas, Cepeda pretende dar continuidade às reformas de Petro. Para isso, depende de um Congresso aliado. Uma das principais promessas da esquerda é reformar a Constituição, proposta que, segundo analistas, pode representar risco de concentração de poder no Executivo.

Direita tenta se recuperar

A direita tenta se reerguer após o revés de 2022, quando perdeu a maior bancada do Congresso e a presidência.

O ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), líder conservador mais influente do país, é candidato ao Senado. Sua candidatura busca mobilizar os eleitores que apoiaram sua política de confronto direto contra as guerrilhas.

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Uribe rejeita as políticas de Petro, entre elas a chamada "paz total", que propõe negociar com grupos armados ilegais que voltaram a se fortalecer.

A violência continua sendo um fator determinante no processo eleitoral. No ano passado, o senador de direita Miguel Uribe, que aspirava à candidatura presidencial, foi assassinado durante a campanha.

Com AFP

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