Mais de 16 mil pessoas ficaram desabrigadas, e 856 edifícios foram atingidos pelo desastre, informou também o Ministério das Comunicações da Venezuela, sem fornecer números sobre os desaparecidos. A ONU estima que o número de desabrigados possa chegar a 50 mil pessoas.
Os dois terremotos, ocorridos com um intervalo de 39 segundos, atingiram principalmente o norte do país. La Guaira, cidade litorânea situada a cerca de 40 quilômetros da capital Caracas, teve vários prédios inteiros reduzidos a escombros. Muitos atingidos pela tragédia continuam vivendo nas ruas ou em abrigos precários instalados em parques, sem perspectiva de retorno à normalidade. Os moradores também sofrem com saques, que começaram logo após os tremores.
Caracas também foi afetada: edifícios desabaram, mas os danos são muito menores do que os registrados em La Guaira. O primeiro tremor ocorreu a uma profundidade de 21,9 quilômetros, cerca de 200 quilômetros a oeste da capital. Ele foi seguido por um segundo abalo, a 10 quilômetros de profundidade, registrado 39 segundos depois e a 45 quilômetros de distância, além de cerca de vinte réplicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
De acordo com o USGS, o terremoto de magnitude 7,5 foi o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900. O país tem quase 30 milhões de habitantes e enfrenta uma crise econômica há vários anos.
Buscas continuam
A presidente interina, Delcy Rodríguez, assegurou que as buscas por sobreviventes continuam e prometeu também que todas as vítimas fatais serão identificadas. "Ninguém será enterrado em uma vala comum", declarou na quinta-feira (2). Segundo ela, os médicos legistas estão coletando as impressões digitais dos mortos, além de fotografá-los, e elaborando um prontuário para cada pessoa que chega ao necrotério.
Delcy Rodríguez assumiu o poder em janeiro, após a prisão de Nicolás Maduro, de quem era vice-presidente, pelos Estados Unidos. De acordo com ela, a catástrofe evidenciou as dificuldades de gestão da Venezuela.
A dimensão dos danos mergulhou parte do país no caos, agravando uma situação já marcada por anos de profunda crise econômica.
(Com agências)